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    O Festim dos Corvos

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:25 pm

    Este ai está morrendo também, Jaime percebeu, não me admira que
    Cersei o chamou de inútil.
    Na verdade, sua doce irmã parecia pensar que metade da corte era
    inútil ou traidor; Pycelle, a Guarda Real, mesmo Jaime... Sor Ilyn Pyne, o
    silencioso cavaleiro que servia como carrasco. Assim como a Justiça do Rei,
    as masmorras eram sua responsabilidade. Desde que ele perdeu a língua,
    Payne em grande parte deixou o funcionamento das masmorras para seus
    subordinados, mas Cersei culpou-o pela fuga de Tyron do mesmo jeito. Isso
    foi meu trabalho, não dele, Jaime quase disse a ela. Ao invés disso ele havia
    prometido encontrar as respostas que pudesse ao carcereiro chefe, um velho
    homem curvado chamado Rennifer Longaágua.
    — Vejo que está se perguntando, que tipo de nome é esse — O
    homem tinha gargalhado quando Jaime pensou em perguntá-lo. — É um
    velho nome, esta é a verdade. Eu não sou de me vangloriar, mas há sangue
    real em minhas veias. Eu sou descendente de uma princesa. Meu pai me
    contou a história quando eu era pouco mais que um rapaz. — Águalonga
    deixou de ser um rapaz há muitos anos, a julgar pela sua cabeça e os cabelos
    brancos crescendo em seu queixo. — Ela era o mais belo tesouro da Arcada
    das Donzelas. Lorde Oakenfist, o grande almirante perdeu seu coração para
    ela, embora fosse casado com outra. Eles deram ao seu filho o bastardo
    nome de ‘Água’ em honra a seu pai, e ele cresceu para ser um grande
    cavaleiro, como fez seu próprio filho, ao qual ele colocou o ‘Longa’ antes de
    ‘Água’, então os homens saberiam que ele não nasceu de si mesmo. Então,
    eu tenho um pequeno dragão em mim.
    — Sim, eu quase confundi você com Aegon, o Conquistador —
    Jaime tinha respondido. ‘Água’ era um nome bastardo comum entre os
    Blackwater Bay; O Velho Longaágua estava mais para ser descendente de
    um menor cavalheiro doméstico do que de uma princesa. — Como se
    importasse, porém, tenho preocupações mais prementes do que sua
    linhagem.
    Longaágua inclinou sua cabeça.
    — O prisioneiro perdido.
    — E o carcereiro faltando.
    — Rugem — o velho forneceu — o carcereiro de baixo. Ele tinha o
    encargo de terceiro nível, as celas negras.
    — Me fale sobre ele — Jaime teve que dizer. Uma farsa sangrenta.
    Ele sabia quem Rugem era. Mesmo se Longaágua não soubesse.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:25 pm

    — Despenteado, barba por fazer, fala grosseira. Eu não ia com a cara
    do homem, é verdade, eu confesso isso. Rugen estava aqui quando eu
    cheguei, doze anos atrás. Ele segurou sua nomeação desde Rei Aerys. O
    homem raramente vinha aqui, eu devo dizer. Eu fiz nota disso em meu
    relatório, meu senhor, eu realmente fiz. Eu te dou a minha palavra, a palavra
    de um homem com sangue real.
    Mencione esse sangue real mais uma vez e eu talvez derrame um
    pouco dele, Jaime pensou.
    — Quem leu seu relatório?
    — Alguns deles foram para o Mestre das Moedas, e outro para o
    Mestre dos Segredos. Tudo para o carcereiro chefe e para a Justiça do Rei.
    Tem sempre sido assim nas masmorras.
    Longaágua coçou o nariz.
    — Rugens ficava aqui quando era preciso, meu senhor, Isso deve ser
    dito. As celas negras são pouco usadas. Antes do irmãozinho de Vossa
    Senhoria ser enviado aqui para baixo, tivemos Grande Meistre Pycelle por
    um tempo, e antes dele Lorde Stark, o traidor. Tiveram outros três, homens
    comuns. Mas Lorde Stark os enviou para a Patrulha da Noite. Eu não achei
    que fosse bom liberar aqueles três, mas os papéis tinham a ordem. Eu fiz
    nota disso em meu relatório também, você pode estar certo disso.
    — Me conte dos dois carcereiros que foram dormir.
    — Carcereiros? – Longwaters fungou. — Eles não eram carcereiros.
    Eles eram meros carcerários. A coroa paga salário para vinte carcerários meu
    senhor, mas durante o meu tempo nunca tivemos mais de doze.
    Supostamente devíamos ter seis carceiros de baixo também, dois em cada
    nível, mas só a tínhamos três.
    — E os outros dois?
    Longaágua fungou outra vez.
    — Eu sou o chefe dos carcereiros de baixo, meu senhor. Eu estou
    acima dos carcereiros de baixo. Estou encarregado de manter a obra. Se meu
    senhor quiser olhar sobre meus livros, ele verá que todas as figuras estão
    exatas. — Longaágua havia consultado o grande livro com capa de couro
    espalhado em frente a ele. — Atualmente nós temos quatro prisioneiros no
    primeiro nível e um no segundo, adicionando o irmão de Vossa Senhoria. —
    O velho franziu o cenho. — Que está foragido. Isso é verdade, eu vou jogálo
    para fora. — Ele pegou uma pena e começou a apontar.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:25 pm

    Seis prisioneiros, Jaime pensou amargamente, enquanto nós
    pagamos o salário de vinte carcerários, seis carcereiros de baixo, um
    carcereiro chefe, um encarregado da Justiça do Rei.
    — Eu quero interrogar esses dois carcerários.
    Rennifer Águalonga deixou de afiar sua pena e olhou em dúvida
    para Jaime.
    — Interrogá-los, meu senhor?
    — Você me ouviu.
    — Eu ouvi, meu senhor, eu realmente ouvi, mas ainda... meu senhor
    interroga a quem ele quer, isso é verdade, não é meu lugar dizer que ele não
    possa. Mas Sor, se me permite a ousadia, eu não acho que eles irão
    responder. Eles estão mortos, meu senhor.
    — Mortos? Pelo comando de quem?
    — Seu mesmo, eu acho, ou... do rei talvez? Eu não perguntei. Não...
    não é meu lugar questionar a guarda do rei.
    Aquilo foi sal para sua ferida. Cersei havia usado seus próprios
    homens para fazer seu trabalho sangrento. Eles e seus preciosos
    Kettleblacks.
    — Seus tolos inúteis! — Jaime tinha rosnado para Boros Blount e
    Osmund Kettleblack mais tarde, em um calabouço que fedia a sangue e a
    morte. — O que vocês imaginavam que estavam fazendo?
    — Não mais do que nos foi dito, senhor — Sor Boros era menor que
    Jaime, mas mais pesado. — Vossa Graça ordenou. Sua irmã.
    Sor Osmond atravessou um polegar em seu cinturão.
    — Ela disse que eles deveriam dormir para sempre, então eu e meus
    irmãos checamos para ela.
    Isso você fez. Um cadáver estirado de bruços sobre a mesa, como um
    homem desmaiado em uma festa, mas era uma poça de sangue sobre a sua
    cabeça, e não uma poça de vinho. O segundo carcerário conseguiu se
    empurrar para trás do banco e sacar uma adaga antes que alguém empurrasse
    uma longa espada através de suas costelas. Ele tinha tido um longo e confuso
    fim. Eu disse a Varys que ninguém deveria estar armado na fuga, Jaime
    pensou, mas eu deveria ter dito a meu irmão e minha irmã.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:26 pm

    — Isto foi mal feito, senhor — Sir Osmund deu de ombros — Eles
    não farão falta. Aposto que faziam parte disso, junto com aqueles que
    desapareceram.
    Não. Jaime poderia ter dito a ele. Vayrs drogou seus vinhos para
    faze-los dormir.
    — Se assim fosse, poderíamos ter arrancado a verdade deles. — Ela
    tem fodido Lancel e Osmund Ketteblack e o Menino Lua pelo que sei... — Se
    eu tivesse uma natureza desconfiada me perguntaria porque vocês estariam
    com tanta pressa de ter certeza que esses dois nunca seriam interrogados.
    Será que vocês precisavam silenciá-lo para esconder sua própria parte nisso?
    — Nós? — Katteblack se chocou com isso — Tudo o que fizemos
    foi o que a Rainha comandou. Tem minha palavra como seu Irmão
    Juramentado.
    Os dedos fantasmas de Jaime se contraíram quando ele disse.
    — Tragam Osney e Osfryd aqui para baixo para limparem essa
    bagunça que vocês fizeram. E da próxima vez que minha doce Irmã
    comandar vocês para matar um homem, venham a mim primeiro, de outra
    forma fiquem fora de minha vista sores.
    As palavras ecoaram em sua cabeça pela penumbra do septo de
    Baelor. Sobre ele, todas as janelas tinham ficado negras, e ele podia ver a luz
    fraca das estrelas distantes. O sol tinha se posto completamente. O fedor da
    morte estava ficando mais forte, apesar das velas perfumadas. O cheiro
    lembrava Jaime Lannister do passado pertencente a Dente Dourado, onde ele
    havia conquistado uma gloriosa vitória nos primeiros dias de guerra. Na
    manha depois da batalha, os corvos se banquetearam nos vencedores e
    vencidos da mesma forma, como uma vez eles banquetearam em Rhaegar
    Targaryen após o Tridente. Quanto pode valer uma coroa, quando um corvo
    pode jantar em cima de um rei?
    Havia corvos circulando as Sete Torres e a grande cúpula do Septo
    de Baelor mesmo agora, Jaime suspeitava, suas asas negras batendo contra a
    noite enquanto eles tentavam uma maneira de entrar para dentro. Cada corvo
    nos Sete Reinos deve prestar homenagem a você, pai. De Castemare até
    Água Negra, vocês os alimentou bem. Aquela noção de prazer de Lord
    Tywin; seu sorriso ainda mais alargado. Infernos, ele esta sorrindo como um
    noivo em sua cama.
    Era tão grotesco que fez Jaime rir alto.
    O som ecoou pelos transeptos, criptas e capelas, como se os mortos
    enterrados no interior da muralha estivessem rindo também. Porque não?

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:26 pm

    Isto é mais absurdo que a farsa do ator, eu de pé em vigília a um pai que eu
    ajudei a matar, enviando homens para capturar meu irmão que eu ajudei a
    libertar... Ele havia comandado Sir Addam Marbrand para procurar na Rua
    de Seda.
    — Procure em baixo de cada cama. Você sabe como meu irmão é
    com bordéis. — Os Mantos Dourado iriam ter mais interesse debaixo das
    saias das prostitutas do que debaixo de suas camas. Ele se perguntou quantos
    filhos bastardos nasceriam dessa procura inútil.
    Espontaneamente, seus pensamentos foram para Brienne de Tarth.
    Criada teimosa, estúpida e feia. Ele se perguntou onde ela estava. Pai, dêlhe
    força. Quase uma oração... Mas era o deus que ele invocava. O Pai
    Acima cuja torres douradas brilhavam a luz de velas sobre todo o septo? Ou
    ele estava orando ao cadáver que estava deitado diante dele? Isso importa?
    Eles nunca ouvem, nenhum deles. O Guerreiro havia sido o deus de Jaime
    desde que ficara velho o suficiente para segurar uma espada. Outros homens
    talvez fossem pais, filhos, maridos, mas nunca Jaime Lannister, cuja espada
    era dourada como seu cabelo. Ele era um guerreiro, e isso era tudo que ele
    sempre seria.
    Eu deveria dizer a Cersei a verdade, admitir que fui eu quem
    libertou nosso pequeno irmão de sua cela. A verdade havia funcionado tão
    esplendidamente com Tyron, no final das contas. Eu matei seu maldito filho,
    e agora estou livre para matar seu pai também. Jaime podia ouvir o Duende
    rindo na escuridão. Ele virou a cabeça para olhar, mas o som era apenas seu
    próprio riso voltando para ele. Ele fechou seus olhos, e então rapidamente os
    abriu. Eu não devo dormir. Se ele dormisse, ele talvez sonhasse. Oh, como
    Tyron ria silenciosamente... Uma puta mentirosa... fodendo Lancel e
    Osmund Kettleblack...
    Á meia noite, as dobradiças das Portas do Pai gemeu como uma
    centena de septos se curvando para suas devoções. Alguns estavam vestidos
    nas roupas de prata e a coroa de cristais que marcavam o Mais Devoto; seus
    irmãos mais humildes usavam cristais em tangas sobre seu pescoço e cingia
    suas vestes brancas com cintos, cada um com uma cor diferente. Através da
    Porta da Mãe marcharam septões brancos de seus claustros, sete pares e
    cantando baixinho, enquanto as irmãs silenciosas paravam abaixo dos Passos
    do Estranho. As servas da morte estavam vestidas com cinza suave, seus
    rostos estavam encapuzados e sombreados, então somente seus olhos podiam
    ser vistos. Uma série de irmãos apareceram também, com vestes em tom de
    marrons, alguns ainda não tingidos, com cintos do comprimento de corda de
    cânhamo. Alguns penduraram seu martelo de ferro do Ferreiro sobre seus
    pescoços, enquanto outros carregavam tigelas de esmola.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:26 pm

    Nenhum dos devotos deu a Jaime qualquer atenção. Eles fizeram um
    circuito pelo Septo, adorando em cada um dos setes altares para honrar os
    sete aspectos da divindade. Para cada deus fizeram um sacrifício, para cada
    um cantaram um hino. Doce e solene levantaram suas vozes. Jaime fechou
    os olhos para ouvir, mas abriu-os novamente quando começou a ficar zonzo.
    Estou mais cansado do que pensava.
    Tinha se passado anos desde sua última vigília. E eu era um jovem
    de quinze anos. Ele não tinha usado nenhuma armadura, apenas uma túnica
    branca simples. O septo onde ele tinha passado a noite não era um terço tão
    grande como qualquer um dos Grandes Septos dos Sete Transeptos. Jaime
    tinha colocado sua espada através do joelho do Guerreiro, empilhado sua
    armadura em seus pés, e se ajoelhou no chão de pedra áspera diante do altar.
    Quando o amanhecer veio ele estava com os joelhos em carne viva, e
    sangrando.
    — Todos os cavaleiros devem sangrar, Jaime. — Sor Arthur Dayne
    tinha dito quando viu. — Sangue é o selo de sua devoção.
    Com o amanhecer ele bateu-lhe no ombro. A lamina pálida era tão
    afiada que até mesmo o suave toque cortou a túnica de Jaime, e então ele
    sangrou de novo. Ele nunca sentiu. Um garoto se ajoelhou, um cavaleiro se
    ergueu. O jovem Leão, não o Regicida.
    Mas isso foi há muito tempo atrás. O garoto estava morto.
    Ele não pode dizer quando a devoção acabou. Talvez ele dormiu,
    ainda em pé. Quando os devotos se retiraram, o Septo ficou silencioso mais
    uma vez. As velas eram uma parede de estrelas queimando na escuridão,
    embora o ar estivesse espesso como a morte. Jaime mudou sua espada de
    ouro de lado. Talvez ele devesse ter deixado Sor Loras aliviá-lo no fim das
    contas. Cersei teria odiado isso. O Cavaleiro das Flores ainda era meio
    menino, arrogante e vaidoso, mas ele tinha algo em si para ser grande, para
    realizar atos dignos do Livro Branco.
    O Livro Branco estaria esperando quando a vigília estivesse
    terminada, suas paginas abertas no próprio mundo. Irei cortar o livro
    sangrento em pedaços antes de enche-los de mentiras. No entanto, se ele não
    mentisse, o que ele poderia escrever além da verdade?
    Uma mulher estava em pé diante dele.
    Está chovendo de novo, ele pensou quando viu o quão molhada ela
    estava. A água escorria de seu manto e fazia uma poça em volta de seus pés.
    Como ela chegou aqui? Eu não a ouvi entrar. Ela estava vestida como uma
    moça de taberna, com um manto áspero e pesado, um marrom desbotado

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:27 pm

    com a bainha desgastada. Um capuz escondia seu rosto, mas ele podia ver a
    luz das velas dançando nas piscinas verdes que eram seus olhos, e quando
    ela se moveu, ele a reconheceu.
    — Cersei — ele falou lentamente, como um homem acordado de um
    sonho, ainda se perguntando onde estava. — Que horas são?
    — A hora do lobo — sua irmã abaixou o capuz e fez uma careta. —
    O lobo afogado talvez. — ela sorriu para ele, muito docemente. — Você se
    lembra da primeira vez que eu vim até você desse jeito? Era em algum lugar
    no Beco da Doninha, e eu coloquei trajes de servos para passar pela guarda
    do meu Pai.
    — eu me lembro. Era Beco Eal. – Ela quer algo de mim. – Porque
    você esta aqui há essa hora? O que você quer de mim?
    Sua ultima palavra ecoou pelo septo, mim... mim... mim... mim...
    desaparecendo em um sussurro. Por um momento ele se atreveu a ter
    esperança de que tudo o que ela queria era o conforto de seus braços.
    — Fale em voz baixa. — sua voz soou estranha... ofegante, quase
    assustada. — Jaime, Kevan me recusou. Ele não vai servir como Mão. Ele
    sabe sobre nós. Ele disse isso.
    — Recusou? — isso o surpreendeu — Como ele pode saber? Ele
    teria que ler o que Stannis escreveu, mas não há...
    — Tyron sabia — ela lembrou-o — Quem pode dizer que contos
    aquele malvado anão contou, ou para quem? Tio Kevan é o de menos. O
    Alto Septão... Tyron ressuscitou-o para a coroa, quando o gordo morreu. Ele
    talvez saiba também. – ela se aproximou – você deve ser a Mão de Tommen.
    Eu não confio em Mace Tyrell. E se ele teve algo a ver com a morte do pai?
    Ele talvez tenha conspirado com Tyron. O Duende pode estar em seu
    caminho para Jardim de cima.
    — Ele não está.
    — Seja a minha Mão. — ela pediu — e nós reinaremos os Sete
    Reinos juntos, como um rei e sua rainha.
    — Você foi a rainha de Robert, e ainda assim você não será minha.
    — Eu seria, se me atrevesse, mas nosso filho...
    — Tommen não é meu filho, não mais que Joffrey era. — sua voz
    estava dura. — Você o fez de Robert também.
    Sua irmã encolheu.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:27 pm

    — Você jurou sempre me amar. Não é amor me forçar implorar.
    Jaime podia cheirar o medo nela, mesmo através do mal cheiro do
    cadáver. Ele queria pegá-la em seus braços e beijá-la, enterrar seu rosto em
    suas mechas douradas e prometê-la que ninguém nunca a machucaria... não
    aqui, ele pensou, não em frente aos deuses e em frente ao Pai.
    — Não — ele disse — Eu não posso, eu não vou.
    — Eu preciso de você, eu preciso da minha outra metade — ele
    podia ouvir a chuva batendo no vidro acima dele — Você é eu, eu sou você.
    Eu preciso de você comigo. Dentro de mim. Por favor, Jaime, por favor.
    Jaime olhou para ter certeza que Lord Tywin não estava se erguendo
    de dentro da sua esquife em ira, mas seu pai ficou imóvel e frio,
    apodrecendo.
    — Eu fui feito para um campo de batalha, não para uma sala de
    conselho. E agora pode ser que sou incapaz até mesmo para isso.
    Cersei enxugou suas lagrimas com uma esfarrapada manga marrom.
    — Muito bem, se é um campo de batalha que você quer, é um
    campo de batalha que darei a você. —Ela puxou seu capuz sobre si com
    raiva. — Eu fui tola de vir. Eu fui tola de sequer amar você.
    Seus passos ecoaram alto no silêncio, e deixaram marcas molhadas
    no chão de mármore.
    A madrugada pegou Jaime quase de surpresa. Assim que o vidro na
    cúpula começou a clarear, de repente havia um arco-íris cintilante nas
    paredes, chão e pilares, banhando o cadáver de Lord Tywin em uma névoa
    de muitas cores e luz. A Mão do Rei estava apodrecendo visivelmente. Seu
    rosto havia tomado uma coloração esverdeada, e seus olhos estavam
    extremamente afundados, duas poças negras. Fissuras haviam se aberto em
    seu queixo, e um sujo fluído branco foi se infiltrando pelas juntas de sua
    armadura de ouro e esplêndido carmesim para a piscina debaixo de seu
    corpo. Os septãos foram os primeiros a ver, quando voltaram de sua devoção
    pela manhã. Eles cantaram suas músicas, rezaram suas orações e enrugaram
    seus narizes, e um dos mais devotos ficou tão fraco que teve que ser ajudado
    a partir do septo. Pouco depois um bando de novatos vieram balançando
    incensários, e o ar tornou-se tão grosso com o incenso que o esquife parecia
    envolto em fumaça. Todos os arco-íris se desfizeram naquela nevoa
    perfumada, mas o cheiro persistia, um cheiro doce e podre que fazia Jaime
    querer vomitar.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:27 pm

    Quando as portas foram abertas os Tyrell estavam entre os primeiros
    a entrar, como convinha sua classificação. Margaery tinha trago um grande
    buquê de rosas douradas. Ela colocou ostensivamente ao pé do esquife de
    Lord Tywin, mas manteve uma com ela e segurou-a sob seu nariz enquanto
    tomava seu lugar. Então a menina é tão inteligente quando bonita. Tommen
    podia fazer um negócio ruim para uma rainha. Outros fizeram. As damas de
    Margaery seguiram seu exemplo.
    Cersei esperou que todos estivessem em seus lugares para fazer sua
    entrada, com Tommen a seu lado. Sor Osmund Kettleblack passou ao lado
    deles em seu prato de esmalte branco e casaco de lã branca.
    —... Ela tem fodido Lancel e Osmund Kettleblack e o Menino Lua
    pelo que eu sei...
    Jaime tinha visto Kettleblack nu no banheiro, tinha visto seu cabelo
    preto do peito, e a grossa palha entre suas pernas. Ele imaginou aquele peito
    pressionado contra sua irmã, aquele cabelo roçando na pele macia dos seios.
    Ela não fez isso. Aquele Duende mentiu. Fios dourados e pretos
    entrelaçados, suados. A bochecha estreita de Kettleblack se apertava cada
    vez que ele estocava. Jaime podia ouvir sua irmã gemer. Não. Uma mentira.
    De olhos vermelhos e pálida, Cersei subiu os degraus e ajoelhou-se
    acima do seu pai, trazendo Tommen a seu lado. O rapaz recuou a vista, mas
    sua mãe agarrou seu pulso antes que ele pudesse se afastar.
    — Ore! — sua mãe sussurrou, e Tommen tentou. Mas ele tinha
    apenas oito anos e Lord Tywin era um horror. Ele desesperadamente puxou
    o ar, e então o rei começou a soluçar. — Pare com isso — Cersei disse.
    Tommen virou a cabeça e se dobrou, vomitando. Sua coroa caiu e rolou pelo
    chão de mármore. Sua mãe se afastou com nojo, e de repente o rei estava
    correndo para a porta, tão rápido quanto suas pernas de oito anos de idade
    poderiam levá-lo.
    — Sir Osmund, me alivie — Jaime disse acentuadamente, enquanto
    Kettleblack virou-se para perseguir a coroa. Ele entregou ao homem a
    espada de ouro e seguiu atrás de seu rei. No Salão das Lâmpadas ele o
    apanhou, sob os olhos de duas dezenas de assustados septos.
    — Sinto muito — Tommen chorou — Eu vou fazer melhor da
    próxima vez. A mãe diz que um rei deve mostrar o caminho, mas o cheiro
    me deixou doente.
    Isso não vai dar. Muitos ouvidos ouvindo e olhos assistindo.
    — Melhor irmos para fora, Vossa Graça. — Jaime levou o menino
    para fora onde o ar era tão fresco e puro quanto era o de Porto Real.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:27 pm

    Quarenta homens de Manto Dourado tinham sido colocados ao redor da
    praça para guardar os cavalos e as ninhadas. Ele levou o rei para o lado, bem
    longe de todos, e sentou-se sobre os degraus de mármore.
    — Eu não estava assustado — o garoto insistiu — o cheiro me
    deixou doente. Não o fez ficar doente? Como pode suportá-lo, Sor tio?
    Eu já cheirei minha própria mão podre quando Vargo Hoat me fez
    usá-la como um pingente.
    - Um homem pode suportar quase qualquer coisa, se ele deve. —
    Jaime disse a seu filho. Eu tenho cheirado uma mão apodrecida, como se
    rei Aerys a tivesse cozido em sua própria armadura. — O mundo é cheiro de
    horrores, Tommen. Você pode lutar contra eles, ou rir deles, ou olhar sem
    ver... ir embora por dentro.
    Tommen considerou isto.
    — Eu costumo ir embora por dentro as vezes — ele confessou —
    Quando Joff...
    — Joffrey. — Cersei estava sobre eles, o vento chicoteando sua saia
    em torno de suas pernas. — O nome do seu irmão era Joffrey, e ele nunca
    teria me envergonhado assim.
    — Nunca foi minha intenção. Eu não estava assustado, mãe. É só
    que seu senhor pai cheirava tão mal...
    — Você acha que ele cheira mais doce pra mim? Eu tenho um nariz
    também. — Ela pegou-o em suas orelhas e puxou-o para seus pés. — Lord
    Tyrell tem um nariz. Você o viu vomitando no sagrado septo? Você viu a
    Senhora Margaery berrando como um bebe?
    Jeime ficou de pé.
    — Cersei, chega.
    Suas narinas inflaram.
    — Sor? Porque você está aqui? Você jurou velar o pai até que o
    despertar estivesse acabado, se me lembro.
    — E está acabado. Vá e olhe para ele.
    — Não. Sete dias e sete noites, você disse. Certamente o Senhor
    Comandante se lembra como contar até sete. Pegue o numero dos seus
    dedos, e então adicione dois.
    Outros começaram a fluir para fora, para a praça, fugindo do odor
    nocivo do septo.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:28 pm

    — Cersei, mantenha sua voz baixa — Jaime advertiu — Lord Tyrell
    está se aproximando.
    Isso atingiu ela. A rainha trouxe Tommen para seu lado. Mace Tyrell
    se curvou diante deles.
    — Vossa Graça não esta doente, espero?
    — O rei foi tomado pela dor — Cersei disse.
    — Assim como estamos todos. Se há algo que eu possa fazer...
    Em cima, um corvo gritou bem alto. Ele estava empoleirado na
    estatua do rei Baelor, defecando na cabeça santa.
    — Há muito e mais que você pode fazer por Tommen, meu Lord. —
    Jaime disse. — Talvez você faria a Vossa Graça a honra de cear com ela,
    depois do velório da noite?
    Cersei lhe lançou um olhar fulminante, mas desta vez ela teve o
    senso de morder na língua.
    —Cear? — Tyrell parecia surpreso — Suponho que... é claro, eu
    ficaria honrado, minha senhora esposa e eu.
    A rainha forçou um sorriso e fez um ruído agradável. Mas quando
    Tyrell tinha se despedido e Tommen tinha sido expulso com Sor Addam
    Marbrand, ela se voltou para Jaime com raiva.
    — Você está bêbado ou sonhando, sor? Ora diga, porque estou
    jantando com este tolo e sua apegada esposa? — Uma rajada de vento agitou
    seus cabelos dourados. — Eu não vou nomeá-lo Mão, se é isso que...
    — Você precisa de Tyrell — Jaime a interrompeu. — Mas não aqui.
    Peça-o para capturam Ponta Tempestade para Tommen. Lisonjeie-o, e diga
    que você precisa dele no campo, para substituir o seu pai. Mace se imagina
    um poderoso guerreiro. Ou ele vai entregar Ponta Tempestade para você, ou
    vai falhar e parecer um tolo. De qualquer forma, você vence.
    — Ponta Tempesdade? — Cersei olhou pensativa. — Sim, mas Lord
    Tyrell tornou tediosamente claro que não partirá de Porto Real até que
    Tommen se case com Margaery.
    Jaime suspirou.
    — Então deixe que eles se casem. Será anos até que Tommen tenha
    idade suficiente para consumar o casamento. E até que ele faça, a união pode
    sempre ser anulada. De a Tyrell seu casamento e envie-o para brincar na
    guerra.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:28 pm

    Um sorriso cauteloso se esgueirou no rosto da irmã.
    — Mesmo cercos tem seus perigos. — Ela murmurou. — Assim,
    nosso Lorde de Jardim de Cima pode até perder sua vida nessa aventura.
    — Há esse risco —Jaime concordou. — Especialmente se sua
    paciência for pouca, e ele decida invadir o portão.
    Cersei deu-lhe um olhar demorado.
    — Você sabe. — disse ela. — Por um momento você soou
    exatamente como o pai.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:31 pm

    Briene 160



    Os portões de Valdocaso foram fechados e barrados. Através da
    escuridão da madrugada, as muralhas da cidade brilhavam
    palidamente. Em suas muralhas, tufos de nevoeiro se moviam como
    sentinelas fantasmagóricas. Uma dúzia de carros de bois haviam parado em
    frente aos portões, esperando o sol nascer.
    Brienne tomou seu lugar por trás de alguns nabos. Suas panturrilhas
    doíam, e foi bom ela ter desmontado e esticado as pernas. Em pouco tempo,
    veio outra carruagem ribombando dos bosques. No momento em que o céu
    começou a clarear, a fila se estendia para trás de um quarto de milha.
    O povo da fazenda lhe lançava olhares curiosos, mas ninguém falou
    com ela. É para mim falar com eles, Brienne disse a si mesma, mas ela
    sempre achara difícil falar com estranhos. Mesmo quando garota ela tinha
    sido tímida. Longos anos de desprezo só a tinham feito ainda mais tímida.
    Eu devo perguntar por Sansa. De que outra forma poderei encontrá-la? Ela
    limpou a garganta.
    — Boa senhora — ela disse a mulher no carro de nabos — talvez
    você viu minha irmã na estrada? Uma jovem empregada, treze anos, rosto
    cheio, olhos azuis e cabelos ruivos. Ela pode estar andando com um
    cavaleiro bêbado.
    A mulher balançou a cabeça, mas o marido disse:
    — Então ela não é empregada doméstica, eu aposto. Será que a
    pobre menina tem um nome?
    A cabeça de Brienne estava vazia. Eu deveria inventar um nome
    para ela. Qualquer nome serviria, mas nenhum vinha a ela.
    — Sem nome? Bem, as estradas estão cheias de garotas sem nome.
    — O cemitério é ainda mais cheio — disse sua esposa.
    Quando amanheceu, os guardas apareceram nos parapeitos. Os
    agricultores subiram em suas carroças e sacudiram as rédeas. Brienne
    montou também e deu uma olhada para trás. A maioria da fila de espera para
    entrar em Valdocaso eram os povos das fazendas carregados com frutas e
    verduras para vender. Um par de burgueses ricos sentaram-se polidamente
    há uma dúzia de lugares atrás dela, e mais para trás, ela viu um garoto magro
    em um cavalo malhado. Não havia sinal dos dois cavaleiros, nem Sor
    Shadrich, o Rato Louco.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:31 pm

    Os guardas estavam acenando através das carruagens com um olhar
    perdido, mas quando Brienne chegou ao portão eles lhe deram uma pausa.
    — Pare, você! — bradou o capitão. Um par de homens em
    armaduras e cotas de malha cruzaram suas lanças e barraram seu caminho —
    Declare o seu propósito aqui!
    — Eu procuro o Senhor de Valdocaso, ou seu Meistre.
    Os olhos do capitão permaneceram em seu escudo.
    — O bastão preto de Lothston. Este é um brasão de má reputação.
    Eles não são meus. Eu pretendo ter o escudo repintado.
    — Oh sim? — o capitão coçou o queixo mal barbeado. – Minha
    irmã faz esse trabalho, quando isso acontece. Você vai encontrá-la em uma
    casa com as portas pintadas, em frente da Sete Espadas. — Ele fez um gesto
    para os guardas. — Deixem-na passar, rapazes, é uma meretriz.
    O portão se abriu em uma praça de mercado, onde aqueles que
    estavam entrando antes dela estavam descarregando para vender pelas ruas
    seus nabos, cebolas amarelas e sacos de grãos de cevada. Outros vendiam
    armas e armaduras, e muito mais baratos ao julgar pelos preços que eles
    gritavam quando ela passou. Os saqueadores vem com os corvos de carniça
    depois de cada batalha. Brienne passou com seu cavalo por expedições de
    camisas ainda manchadas de sangue marrom, elmos golpeados, e longas
    espadas denteadas. Lá havia roupas para serem adquiridas também: botas de
    couro, casacos de pele e casacos corados com rendas suspeitas. Ela conhecia
    muito dos emblemas. O Punho do Guadeleite, O Alce, O Sol Branco, O
    Machado de Duas Laminas, todos esses eram do norte. Os homens de Tarly
    pereceram aqui também, ela pensou, e muitos das terras das tempestades. Ela
    viu as maças vermelhas e verdes, um escudo que levava os três raios de
    Leygood, arreios de cavalos modelados com as formigas de Ambrose. O
    próprio Lorde Tarly apareceu em um crachá, broches e gibão. Amigo ou
    inimigo, os corvos não se importam.
    Havia escudos de pinheiro e tília, a ser obtidos por alguns centavos,
    mas Brienne passava por eles. Ela pretendia manter o pesado escudo de
    carvalho que Jaime havia dado a ela, aquele que havia suportado a si mesmo
    de Harrenhal à Estrada do Rei. Um escudo de pinheiros tinha sua vantagem.
    Era mais leve e portanto mais fácil de suportar, e a madeira macia era melhor
    para prender um machado inimigo ou uma espada. Mas carvalho dava mais
    proteção, se você fosse forte suficiente para suportar o seu peso.
    Valdocaso foi construída em torno de seu porto. Ao norte da cidade
    os penhascos eram como giz rosa; ao sul uma península rochosa blindava os

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:31 pm

    navios fundeados de tempestade chegando do mar estreito. O castelo tinha
    vista para o porto, mantinha suas grandes torres visíveis para todo o porto.
    Nas ruas apinhadas de paralelepípedos, era mais fácil andar de
    passeio, então Brienne deixou sua égua estável e continuou a pé, com seu
    escudo pendurado nas costas e seu saco de dormir colocado debaixo de seus
    braços.
    A irmã do capitão não era difícil de encontrar. A Sete Espadas era a
    maior estalagem da cidade, uma estrutura de quatro andares que se erguia
    sobre seus vizinhos, e as duplas portas através do caminho eram pintadas de
    forma deslumbrante. Elas mostravam um castelo em uma madeira de outono,
    as arvores feitas em tons de dourado e castanho-avermelhado. A hera
    rastejando até os troncos de carvalho antigo, e até mesmo as bolotas haviam
    sido feitas com carinho. Quando Brienne olhou mais de perto, ela viu as
    criaturas na folhagem: uma manhosa raposa vermelha, dois passarinhos em
    um galho, e por trás destes havia uma sombra de um javali.
    — Sua porta é muito bonita — ela disse a mulher de cabelos negros
    que respondeu quando ela bateu. — Que castelo seria este?
    — Todos os castelos — disse a irmã do capitão — O único que eu
    conheço é Forte Pardo pelo porto. Eu fiz outro em minha cabeça, de como
    um castelo deveria parecer. Eu nunca vi um dragão também, nem um grifo,
    nem um unicórnio.
    Ela tinha um jeito alegre, mas quando Brienne lhe mostrou seu
    escudo, seu rosto ficou escuro.
    — Minha velha mãe costumava dizer que os morcegos gigantes
    voam para fora de Harrenhal nas noites sem lua, para transportar crianças
    más a Danelle, a Louca, para seus cozidos. Às vezes, eu os ouvia riscando
    as janelas. — ela tocou os dentes com a língua pensativa — O que vai em
    seu lugar?
    O brasão dos Tarth era um esquartejado de rosas com azul, e davam
    a luz um sol amarelo e a uma lua crescente. Mas, enquanto os homens
    acreditassem que ela era uma assassina, Brienne não se atreveria a carregálo.
    — Sua porta me lembrou de um velho escudo que eu uma vez vi no
    arsenal do meu pai. — ela descreveu os brasões da melhor maneira que pode
    se lembrar. A mulher assentiu com a cabeça.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:32 pm

    — Eu posso pintá-lo de imediato, mas a tinta terá que secar. Pegue
    um quarto na Sete Espadas, se lhe agradar. Vou lhe trazer o escudo pela
    manhã.
    Brienne não tinha intenções de passar a noite em Valdocaso, mas
    talvez fosse o melhor. Ela não sabia se o senhor do castelo estava na
    residência, ou se ele consentiria em vê-la. Ela agradeceu a pintora e
    atravessou a calçada para a estalagem. Acima de sua porta, sete espadas de
    madeira balançavam sob um pico de ferro. A cal que a cobria estava rachada
    e descascada, mas Brienne sabia o seu significado. Elas ficaram para os sete
    filhos de Darklyn, que havia usado os mantos brancos da Guarda Real.
    Nenhuma outra casa em todo o reino poderia reivindicar tanto assim. Eles
    foram a glória de suas casas. E agora eles são um sinal acima de uma
    estalagem. Ela entrou para dentro da sala e pediu ao estalajadeiro por um
    quarto e um banho.
    Ele a colocou no segundo andar, e uma mulher com uma marca de
    nascença no rosto da cor de fígado lhe trouxe uma banheira de madeira, e
    então a água, balde por balde.
    — Por acaso algum Darklyn permanece em Valdocaso? — Brienne
    perguntou enquanto entrava na banheira.
    — Bem, há Darkes, e há eu mesma. Meu marido diz que eu era uma
    Darke antes de casar. — ela riu. — Não é possível jogar uma pedra em
    Valdocaso sem acertar alguns Darke, Darkwood ou Dargood, mas os nobres
    Darklyns se foram. Lorde Denys foi o último deles, o tolo e doce jovem.
    Sabia que os Darklyn foram reis em Valdocaso antes dos ândalos chegarem?
    Você nunca saberia ao olhar para mim, mas eu tenho sangue real em mim.
    Você pode ver? ‘Vossa Graça, outro copo de cerveja’, eu deveria fazê-los
    dizer, ‘Vosa Graça, o penico precisa ser esvaziado, e busque alguns peixes
    frescos, Vossa Graça sangrenta, o fogo está se acabando’ — Ela riu
    novamente e esvaziou as ultimas gotas do balde. — Bem, aqui está, a água
    está quente o suficiente para você?
    — Vai servir. — a água estava morna.
    — Eu traria mais, mas acabou. E uma garota do seu tamanho, você
    própria enche uma banheira.
    Apenas uma banheira pequena e apertada como esta. Em Harrenhal
    as banheiras eram enormes e feitas de pedras. A casa de banho era espessa
    com todo o vapor subindo da água, e Jaime tinha vindo caminhando através
    dessa névoa nu como no dia de seu nome, parecendo meio homem e meio
    deus. Ele entrou na banheira comigo, ela se lembrou, corando. Ela agarrou

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:32 pm

    um pedaço duro de sabão detergente e esfregou por baixo de seus braços,
    tentando chamar a face de Renly novamente.
    Quando a água ficou fria, Brienne estava tão limpa quanto gostava
    de estar. Ela vestiu as mesmas roupas que havia tirado e cingiu-as com um
    cinturão apertado ao redor dos quadris, mas sua cota e elmo ela deixou para
    trás, de modo a não parecer muito ameaçadora em Forte Pardo. Era bom
    esticar as pernas. Os guardas nos portões do castelo usavam gibões de couro
    com um emblema que mostrava martelos de batalhas cruzados em cima de
    uma cruz branca.
    — Eu gostaria de falar com seu senhor — Brienne disse a eles.
    Um deles riu.
    — Melhor gritar alto então.
    — Lord Rykker cavalgou para Lagoa da Donzela com Randyll Tarly
    – o outro disse – Ele deixou Sor Leek Rufus como castelão, para cuidar da
    Senhora Rykker e os jovens. — Foi para Leek que eles a escoltaram. Sor
    Rufus era um curto e robusto com uma barba grisalha, cuja perna esquerda
    terminara em um toco.
    — Você vai me perdoar se eu não me levantar — ele disse. Brienne
    ofereceu-lhe sua carta, mas ele não sabia ler, então ele mandou-a para o
    Meistre, um homem careca com o couro cabeludo sardento e um duro bigode
    vermelho.
    Quando ele ouviu o nome Hollard, o meistre franziu a testa com
    irritação.
    — Quantas vezes devo cantar esta canção? — seu rosto devia tê-la
    feito se distanciar — Vocês acham que foram os primeiros a virem procurar
    depois de Dontos? Vocês estão mais para o vigésimo primeiro. Os Mantos
    Dourados estiveram aqui durante alguns dias depois do assassinato do rei,
    por ordem do Lorde Tywin. E o que vocês tem feito, orado?
    Brienne lhe mostrou a carta, com o selo Tommen e a assinatura
    infantil. O meistre fez hmmmmmmm, cortou a cera, e finalmente devolveulhe
    a carta.
    — Parece estar em ordem. — Ele subiu em seu banquinho e fez um
    gesto à Brienne para outro. — Eu nunca conheci Sor Dontos. Ele era um
    menino quando deixou Valdocaso. Os Hollard foram uma casa nobre uma
    vez, é verdade. Você conhece seus estandartes? Buréis vermelhos e rosas,
    com três coroas douradas sobre um chefe azul. Os Darklyn eram reis
    insignificantes durante a Idade dos Heróis, e três tomaram esposas Hollard.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:32 pm

    Mais tarde seu pequeno reino foi engolido por reinos maiores, mesmo assim
    os Darklyn endureceram e suportaram, e os Hollard os serviram... Sim,
    mesmo em lutas. Você sabia disso?
    — Um pouco — seu próprio meistre costumava dizer que era o
    desafio de Valdocaso que havia deixado o rei Aerys louco.
    — Em Valdocaso eles amam Lorde Denys ainda, apesar da desgraça
    que ele trouxe. É a Senhora Serala que eles culpam, sua esposa Myrish. A
    Serpente de Renda, como ela é chamada. Se Lorde Darklyn tivesse ao menos
    desposado uma Stauton ou uma Stokeworth... Bem, você sabe como
    pequenos povos continuariam. A Serpente de Renda encheu o ouvido de seu
    marido com veneno Myrish, eles dizem, até que Lorde Denys levantou-se
    contra seu rei e o levou cativo. Durante a tomada, seu mestre de armas Sor
    Symon Hollard retirou Sor Gwayne Gaunt da Guarda Real. Por meio ano,
    Aerys foi mantido dentro destes muros, enquanto a Mão do Rei permaneceu
    fora de Valdocaso com um poderoso exército. Lorde Tywin tinha força
    suficiente para invadir a cidade a qualquer momento que desejasse, mas
    Lorde Denys mandou dizer a ele que ao primeiro sinal de agressão ele
    mataria o rei.
    Brienne se lembrava do que vinha a seguir.
    — O Rei foi resgatado — ela disse — Barristan, o Ousado, o trouxe
    para fora.
    — Ele trouxe — o meistre disse — E uma vez que Lorde Denys
    perdeu seu refém, ele abriu os seus portões e terminou com seu maior
    desafio para não deixar que Lord Tywin tomasse a cidade. Ele dobrou o
    joelho e implorou misericórdia, mas o rei não era uma mente de perdão.
    Lorde Denys perdeu sua cabeça, assim como seus irmãos, irmãs, tios,
    primos, todos os nobres Darklyn. A Serpente de Renda foi queimada viva,
    pobre mulher, acho que sua língua foi arrancada primeiro, junto com as suas
    partes femininas, com as quais se dizia que ela havia escravizado o seu
    senhor. Metade de Valdocaso ainda dirá a você que Aerys foi muito gentil
    com ela.
    — E os Hollard?
    — Desonrados e destruídos — disse o meistre. — Eu estava
    forjando meus grilhões na Cidadela quando aconteceu, mas eu li os contos
    de seus julgamentos e punições. Sor Jon Hollard, o Camareiro, havia se
    casado com a irmã de Lorde Denys e morreu com sua esposa, assim como

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:32 pm

    seu filho pequeno, que era meio Darklyn. Robin Hollard foi um escudeiro, e
    quando o rei foi capturado ele dançou em volta dele e puxou sua barba. Ele
    morreu em cima de uma prateleira. Sor Symon Hollard foi morto por Sor
    Barristan durante a fuga do rei. As terras Hollard foram tomadas, seus
    castelos demolidos e suas aldeias queimadas. Assim como os Darklyn, a casa
    Hollard foi extinta.
    — Salvo por Dontos.
    — Isto é verdade. O jovem Dontos era filho de Sor Steffon Hollard,
    o irmão gêmeo de Sor Symon, que tinha morrido de febre alguns anos antes
    e não teve parte no Desafio. Aerys ainda teria arrancado fora a cabeça do
    menino, mas Sor Barristan pediu que sua vida fosse poupada. O rei não
    podia ignorar o homem que o havia salvado. Assim, Dontos foi levado para
    Porto Real como escudeiro. Que eu saiba ele nunca retornou para Valdocaso,
    e porque ele deveria? Ele não tem terras aqui, não tem parentes e nem
    castelos aqui. Se Dontos e essa menina do norte ajudaram a assassinar o
    nosso doce rei, parece que eles iriam querer colocar muitas léguas entre eles
    e a justiça. Procure por eles em Vilavelha, se você quiser, ou do outro lado
    do mar estreito. Procure por eles em Dorne, ou na Muralha. Procure em
    outro lugar. — levantou-se — Eu ouço meus corvos me chamando, me
    perdoe se vos desejo uma boa manhã.
    A caminhada de volta para a estalagem parecia mais longa do que
    para Forte Dun, embora talvez fosse só seu humor. Ela não encontraria
    Sansa Stark em Valdocaso, o que parecia claro. Se Sor Dontos a tivesse
    levado para Vilavelha ou para o outro lado do mar estreito, como o meistre
    parecia pensar, a busca de Brienne seria desesperadora. O que havia para ela
    em Vilavelha? Ela perguntava a si mesmo. O meistre nunca a conheceu, não
    mais que conhecera Hollard. Ela não iria para estranhos.
    Em Porto Real, Brienne havia encontrado uma antiga empregada de
    Sansa fazendo lavagem em um bordel.
    — Eu servi Lorde Renly antes da Senhora Sansa, e ambos viraram
    traidores. — reclamou amargamente a mulher chamada Brella — senhor
    nenhum irá tocar-me agora, então eu tenho que lavar para prostitutas.
    Mas quando Brienne perguntou sobre Sansa, ela disse:
    — Eu direi a você o que eu disse a Lorde Tywin. Essa menina estava
    sempre rezando. Ela ia para o septo e acendia suas velas como uma dama,
    mas perto de uma noite, ela foi para o Bosque Sagrado. Voltou para norte. É
    ai que os deuses estão.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:32 pm

    O norte é enorme, pensou, e Brienne não tinha noção de qual
    estandarte de seu pai Sansa estaria mais inclinada a confiar. Ou ela deveria
    procurar o próprio sangue ao invés disso? Apesar de todos os seus irmãos
    terem sido mortos, Sansa tinha um tio e um irmão bastardo na muralha,
    servindo na Patrulha da Noite. Outro tio, Edmure Tully era um cativo nas
    Gêmeas, mas seu tio Sor Bryden ainda tinha Correrrio. E a irmã mais nova
    da Senhora Catelyn, governava o Vale. Sangue chama sangue. Sansa podia
    muito bem ter corrido para um deles. Mas, qual deles?
    A Muralha era muito longe, certamente, além disso, um lugar muito
    sombrio e amargo. E para chegar a Correrrio, a menina teria que passar pelas
    terras dos rios devastadas pela guerra e através da linha de cerco dos
    Lannister. O Ninhi da Águia seria mais simples, e a Senhora Lysa
    certamente daria boas vindas à filha de sua irmã...
    À frente, o beco dobrado. De alguma forma Brienne havia tomado o
    curso errado. Ela se viu em um beco sem saída, um pequeno quintal
    enlameado onde três porcos estavam em volta de uma pedra também
    enlameada. Um gritou ao vê-la, e um velho homem que estava extraindo
    água olhou-a de cima a baixo.
    — O que você quer?
    — Eu estava procurando pela Sete Espadas.
    — Volte por onde você veio. À esquerda no septo.
    — Eu lhe agradeço — Brienne voltou-se para refazer seus passos, e
    bateu de cabeça em alguém que estava correndo de volta pela curva. A
    colisão o fez tremer sobre os pés e ele caiu no chão, de bunda na lama.
    — Perdão — ela murmurou. Ele era só um garoto. Um rapaz magro,
    com cabelo liso e fino e lama de chiqueiro sob um olho. — Você está
    machucado? — ela ofereceu uma mão para ajudá-lo a se levantar, mas o
    rapaz se contorceu para longe dela com seus pés e cotovelos. Ele não podia
    ter mais que dez ou doze anos, embora usasse uma cota de malha e uma
    longa espada e bainha pendurado em suas costas. — Eu conheço você? —
    Brienne perguntou, seu rosto parecia-lhe vagamente familiar, embora ela não
    conseguisse lembrar de onde.
    — Não, você não conhece. Você nunca... — ele ficou de pé — Pperdoe-
    me minha senhora, Eu não estava olhando. Quero dizer, eu estava,
    mas para baixo. Eu estava olhando para baixo. Para meus pés.
    O menino virou os calcanhares, mergulhando de cabeça por onde
    ele vinha. Algo sobre ele despertou todas as suspeitas de Brienne, mas ela
    não estava disposta a persegui-lo pelas ruas de Valdocaso. Fora dos portões

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:32 pm

    essa manha, foi aí que eu o vi, ela se deu conta. Ele que estava montando um
    cavalo malhado. E parecia que ela o tinha visto em outro lugar também, mas
    onde?
    No momento em que Brienne encontrou Sete Espadas de novo, a
    sala comunal estava lotada. Quatro septãos se sentavam perto do fogo, com
    vestes manchadas e empoeiradas da estrada. Em outros lugares, moradores
    enchiam os bancos, tomando tigelas com sopa de ensopado de caranguejo
    quente e pedaços de pão. O cheiro fez seu estomago roncar, mas ela não viu
    assentos vazios. Então uma voz atrás dela disse:
    — Minha senhora, aqui, pegue o meu lugar. — Depois que ele pulou
    para fora de seu acento, Brienne percebeu que o orador era um anão. O
    homenzinho não era mais alto que cinco pés de altura. Seu nariz era
    vermelho e bulboso, seus dentes eram vermelhos de folhamarga e estava
    vestido com o manto marrom áspero de um santo irmão, com um martelo de
    ferro do Ferreiro pendurado para baixo em pescoço grosso.
    — Fique com seu assento — ela disse — posso ficar em pé tão bem
    quanto você.
    — Sim, mas minha cabeça não está tão perto de bater no teto — o
    discurso do anão foi grosseiro, mas cortês.
    Brienne podia ver a coroa de seu couro cabeludo onde ele tinha
    raspado. Muitos irmãos sagrados usavam tais tonsuras. Septão Roelle uma
    vez lhe disse que era para mostrar que eles não tinham nada a esconder do
    Pai.
    — O Pai não pode ver através do cabelo? — Brienne havia
    perguntado. Uma estúpida coisa para se dizer.
    Ela tinha sido uma criança lerda; Septão Roelle muitas vezes disse
    isso a ela. Ela se sentiu quase estúpida agora, então pegou o lugar do
    homenzinho no fim do banco, sinalizou por guisado e voltou-se para
    agradecer ao anão.
    — Você serve em alguma casa santa em Valdocaso, irmão?
    — Twas, perto de Lagoa da Donzela, minha senhora, mas os lobos
    queimaram-nos para fora — disse o homem, roendo um pedaço de pão. —
    Nós reconstruímos da melhor maneira que podíamos, até que alguns
    vendedores de mundo apareceram. Eu não podia dizer quem eram homens,
    mas eles levaram nossos porcos e mataram nossos irmãos. Eu me apertei
    dentro de um tronco oco e me escondi, mas os outros eram grandes demais.
    Levei muito tempo para enterrá-los todos, mas o Ferreiro me deu força.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:33 pm

    Quando isso foi feito eu desenterrei algumas moedas que meu irmão havia
    escondido e parti sozinho.
    - Eu conheci outros irmãos indo para Porto Real.
    — Sim, há centenas nas estradas. Não só irmãos. Septões também, e
    povos pequenos. Todos pardais. Pode ser que eu seja um pardal também. O
    Ferreiro me fez pequeno o suficiente. — ele riu. — E qual é o seu conto
    triste, minha senhora?
    — Estou procurando minha irmã. Ela é nova, apenas treze anos, uma
    empregada bonita com olhos azuis e cabelos ruivos. Talvez você tenha vistoa
    viajando com um homem. Um cavaleiro, talvez um bobo. Há ouro para o
    homem que me ajudar a encontrá-la.
    — Ouro? — ele deu-lhe um sorriso vermelho — Uma tigela de
    ensopado de caranguejo seria recompensa suficiente para mim. Mas, eu temo
    que não possa ajudá-la. Bobos eu já conheci, e muitos, mas empregadas
    bonitas, nem tanto. — Ele levantou a cabeça e pensou por um momento —
    Houve um bobo em Lagoa da Donzela, agora que penso nisso. Ele estava
    vestido com trapos sujos, tão próximo quanto eu poderia dizer, mas abaixo
    da sujeira havia uma capa de retalhos.
    Dontos Hollard usava sua manta? Ninguém havia dito a Brienne
    que ele usava... mas ninguém havia dito que ele não usava também. Porque
    o homem deveria andar em trapos, porém? Teria algum infortúnio o passado
    a ele e Sansa depois que partiram de Porto Real. Bem que isso podia ser,
    com as estradas tão perigosas. Mas, podia não ter sido ele no final das
    contas.
    — Será que este bobo teria um nariz vermelho cheio de veias
    quebradas?
    — Eu não poderia prometer isso. Eu confesso, dei-lhe pouca
    atenção. Eu tinha ido para Lagoa da Donzela depois de enterrar meus
    irmãos, pensando que eu talvez encontrasse um navio para me levar para
    Porto Real. Da primeira vez eu visualizei o bobo pelas docas. Tinha um ar
    furtivo e um cuidado para evitar os soldados de Lorde Tarly, mas tarde
    encontrei-o novamente no Ganso Fedorento.
    — O Ganso Fedorento? — ela disse, incerta.
    — Um lugar desagradável — admitiu o anão — Os homens de
    Lorde Tarly patrulham do porto até Lagoa da Donzela, mas o Ganso está
    sempre cheio de marinheiros, e marinheiros tem sido conhecidos por
    contrabandear homens a bordo de seus navios, se o preço for justo. Este
    bobo estava procurando passagem para três através do mar estreito. Eu o vi

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:33 pm

    muitas vezes lá, conversando com remadores das galeras. Às vezes, ele
    cantava uma musica engraçada.
    — Procurando passagens para três? Não dois?
    — Três minha senhora. Isto eu juro. Pelos Sete.
    Três, ela pensou, Sansa, Sor Dontos... mas quem seria o terceiro? O
    Duende?
    — Será que o bobo encontrou seu navio?
    — Isto eu não poderia dizer — o anão disse — Mas uma noite os
    soldados do Lorde Tarly visitou o Ganso procurando por ele, e alguns dias
    depois eu ouvi outro dizer que havia enganado um Bobo e tinha o ouro para
    provar. Ele estava pagando cerveja para todos.
    — Enganando um bobo — ela disse — o que ele quis dizer com
    isso?
    — Eu não saberia te dizer. Seu nome era Dick, o Ágil, acho, isto eu
    me lembro. — o anão abriu suas mãos — temo que isto seja tudo que posso
    lhe oferecer, além das orações de um homem pequeno.
    Fiel a sua palavra, Brienne comprou-lhe uma tigela de ensopado de
    caranguejo quente, um pouco de pão fresco e um copo de vinho também.
    Enquanto ele comia, parado ao seu lado, ela remoia o que ele havia dito a
    ela. Podia o Imp ter se juntado a eles? Se Tyron Lannister esta por trás do
    desaparecimento de Sansa, e não Dontos Hollard, eles estavam com razão
    em fugir para o outro lado do mar estreito.
    Quando o homenzinho terminou com a sua tigela de sopa, ele
    terminou com o que restava da dela também.
    — Você deveria comer mais — ele disse — uma mulher grande
    como você precisa manter sua força. Não é muito longe para Lagoa da
    Donzela, mas as estradas são perigosas hoje em dia.
    Eu sei. Foi nessa mesma estrada em que Sor Cléo Freys havia
    morrido. E ela e Sor Jaime tinham sido atacados pelos Saltimbancos
    Sangrentos. Jaime tentou matar-me, ela lembrou, embora ele estivesse
    magro e fraco e seus pulsos estivessem acorrentados. Mas tinha sido por
    pouco, mesmo assim, mas isso foi antes de Zollo cortar sua mão fora. Zollo,
    Roger e Shagwell a teria estuprado uma centena de vezes se Jaime não
    tivesse contado a eles que ela valia seu peso em safiras.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:33 pm

    — Minha senhora? Você parece triste, você está pensando em sua
    irmã? — o anão deu um tapinha em sua mão — A Velha irá iluminar seu
    caminho para ela, nunca tema. A Donzela irá mantê-la segura.
    — Rezo para que esteja certo.
    — E estou — ele fez uma mesura — mas agora eu devo pegar meu
    caminho. Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer para chegar a Porto
    Real.
    — Você tem um cavalo? Uma mula?
    — Duas mulas — o homenzinho riu — Lá estão elas, na parte
    inferior das minhas pernas, elas me levam onde eu quero ir. — Ele se curvou
    e gingou para a porta, balançando a cada passo.
    Ela permaneceu na mesa depois dele ter ido embora, saboreando um
    copo de vinho regado. Brienne não bebia vinho frequentemente, mas uma
    vez ela descobriu que ajudava a silenciar sua barriga. E onde eu quero ir?
    Ela perguntou a si mesma. Para Lagoa da Donzela, para procurar por um
    homem chamado Dick, o Ágil em um lugar chamado Ganso Fedorento?
    Da ultima vez que ela tinha visto Lagoa da Donzela a cidade tinha
    sido uma desolação, o senhor havia se enfiado dentro de seu castelo e seu
    pequeno povo tinha sido morto ou fugido se escondendo. Ela se lembrava de
    casas queimadas e ruas vazias, portões esmagados e quebrados. Cães
    selvagens haviam se escondido atrás de seus cavalos, enquanto cadáveres
    inchados flutuavam como enormes lírios pálidos em cima da piscina de
    primavera que dera o nome a cidade. Jaime cantou ‘Seis Criadas em uma
    Piscina’ e riu quando eu o implorei para ficar quieto. E Randyll Tarly
    estava em Lagoa da Donzela também, outra razão para ela evitar a cidade.
    Ela talvez fizesse melhor em pegar um navio para Vila Gaivota ou para
    Porto Branco. Eu poderia fazer as duas coisas, pensou. Pagar uma chamada
    para o Ganso Fedorento e falar com este Dick, o Ágil, e então encontrar um
    navio para Lagoa da Donzela para levar-me mais para o norte.
    A sala comum tinha começado a esvaziar-se. Brienne rasgou um
    pedaço de pão ao meio, ouvindo as conversas das outras mesas. A maior
    parte dizia respeito à morte do Lorde Tywin Lannister.
    — Assassinado pelo seu próprio filho, eles dizem — um homem
    local estava dizendo, um sapateiro pelo jeito que parecia — aquele vil
    pequeno anão.
    — E o rei é só um garoto — disse o mais velho dos quatro septões.
    — Quem vai nos governar até que ele chegue à idade?

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:34 pm

    — O Irmão de Lorde Tywin — disse um guarda — ou aquele Lorde
    Tyrell, talvez, ou o Regicida.
    — Ele não! — declarou o estalajadeiro — Não aquele quebrador de
    promessas. — Ele cuspiu no fogo.
    Brienne deixou o pão cair de suas mãos e limpou as migalhas de
    suas vestes. Ela tinha ouvido o suficiente. Naquela noite, sonhou que estava
    na tenda Renly novamente. Todas as velas foram jogadas fora e o frio era
    intenso ao seu redor. Algo estava se movendo através do verde escuridão.
    Algo sujo e terrível foi jogado em direção ao seu rei. Ela queria protegê-lo,
    mas seus membros estavam duros e congelados, e gastou mais força do que
    ela tinha para levantar apenas sua mão. E quando a espada de sombra cortou
    o ar reluzindo aço verde e o sangue começou a fluir, ela viu que o rei que
    estava morrendo, não era Renly então, mas Jaime Lannister, e ela tinha
    fracassado com ele.
    A irmã do capitão encontrou-a na sala comum bebendo um copo de
    leite quente com mel e três ovos crus misturados dentro.
    — Você fez lindamente — ela disse quando a mulher lhe mostrou o
    escudo pintado com tinta fresca. Era mais um retrato do que um
    revestimento adequado de armas, e a visão a levou de volta através dos anos,
    para o escuro e fresco arsenal de seu pai. Ela se lembrou de como corria seus
    dedos pela descascada e enfraquecida pintura, sobre as folhas verdes da
    árvore e ao longo do caminho da estrela cadente. Brienne pagou a irmã do
    capitão mais a metade do que haviam combinado e pendurou o escudo no
    ombro quando deixou a estalagem, depois de comprar algum pão, queijo e
    farinha da cozinha. Ela deixou a cidade pelo portão norte, andando
    lentamente pelos campos e fazendas, onde o pior da luta tinha sido, quando
    os lobos desceram de Valdocaso.
    Lorde Randyll Tarly havia comandado o exército de Joffrey,
    composta de homens do ocidente e das terras das tempestades e cavaleiros
    de Campina. Os homens que haviam morrido aqui tinham sido levados de
    volta para dentro das muralhas, para descansar em túmulos de heróis debaixo
    dos septos de Valdocaso. Os mortos do norte, mais numerosos, foram
    enterrados em uma vala comum junto ao mar. Acima dos lugares que
    marcaram seus lugares de descanso, os vencedores tinham levantado um
    marcador tosco de madeira. AQUI JAZEM OS LOBOS era tudo que dizia.
    Brienne parou ao lado dele e fez uma oração silenciosa para eles, e para
    Catelyn Stark, seu filho Robb e todos os homens que tinham morrido com
    ele. Ela se lembrou da noite em que a Senhora Catelyn descobriu que seus
    filhos estavam mortos, os dois rapazes que ela tinha deixado em Winterfell

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    Re: O Festim dos Corvos

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