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    O Festim dos Corvos

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:34 pm

    para mantê-los seguros. Brienne sabia que tinha algo terrivelmente errado.
    Ela tinha perguntado a ela se tinha tido noticias de seus filhos.
    — Eu não tenho filhos além de Robb — a Senhora Catelyn havia
    replicado. Ela soava como se uma faca estivesse sido cravada em sua
    barriga. Brienne havia atravessado através da mesa para dar-lhe conforto,
    mas ela parou antes que seus dedos tocassem a mulher mais velha, com
    medo de que esta recuasse para longe. a Senhora Catelyn havia virado suas
    mãos para mostrar a Brienne cicatrizes em suas mãos e dedos, onde uma vez
    uma faca cortou fundo em sua carne. Então ela começou a falar sobre suas
    filhas.
    — Sansa era uma mocinha — ela disse — sempre cortês e ansiosa
    para agradar. Ela adorava contos de valor cavalheiresco. Ela vai se
    transformar em uma mulher mais bonita do que eu, você pode ver isso. Eu
    muitas vezes iria escovar os seus cabelos. Ela tinha cabelos ruivos, grossos e
    macios... o vermelho que iria brilhar como cobre na luz das tochas.
    Ela falou sobre Arya também, sua filha mais nova. Mas Arya estava
    morta, provavelmente morta agora. Sansa, embora... Eu vou encontrá-la,
    minha senhora. Brienne jurou sobre a solidão inquieta da Senhora Catelyn.
    Eu nunca pararei de procurar, eu darei minha vida se preciso for, desisto de
    minha honra, desisto de todos meus sonhos, mas eu irei encontrá-la.
    Além do campo de batalha a estrada corria junto à costa, entre o
    crescente mar verde-acinzentado e uma linha de baixas colinas de calcário.
    Brienne não era a única viajante na estrada. Havia aldeias de pescadores ao
    longo da costa por muitas léguas, e os pescadores usavam este caminho para
    levarem seus peixes ao mercado. Ela cavalgou passando por uma peixeira e
    suas filhas voltando para casa com uma cesta vazia sobre os ombros. Por sua
    armadura, elas pensaram que ela era um cavaleiro, até que viram seu rosto.
    Então as garotas sussurraram uma para outra e lançaram olhares para ela.
    — Vocês viram uma empregada de treze anos ao longo da estrada?
    — ela lhes perguntou. — Uma criada bem nascida com olhos azuis e cabelos
    vermelhos? — Sor Shadrich havia feito-a prudente, mas ela tinha que
    continuar tentando. — Ela pode estar viajando com um bobo. — Mas elas
    só balançaram a cabeça e riram dela por trás das mãos.
    Na primeira vila que ela chegou, meninos descalços corriam ao lado
    de seu cavalo, ela tinha vestido seu elmo, chateada pelas risadinhas dos
    pescadores, então eles a tomaram por um homem. Um rapaz ofereceu-lhe
    moluscos, outro ofereceu caranguejos, e outro ofereceu sua irmã.
    Brienne comprou três caranguejos do segundo garoto. Quando ela
    chegou a deixar a aldeia, já estava chovendo e o vento subia. Tempestade se

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:34 pm

    aproxima, ela pensou, olhando para o mar. As gotas de chuva pingavam
    contra seu elmo em sua direção, fazendo seus ouvidos vibrarem enquanto
    andava, mas era melhor do que estar lá fora, em um barco. Uma hora ao
    norte, a estrada estava dividida em uma pilha de pedras caídas que
    marcavam a ruína de um pequeno castelo. A via direita serpenteava-se ao
    longo da costa em direção a Ponta da Garra Rachada, uma terra sombria de
    pântanos. A via esquerda atravessava montanhas, campos e bosques em
    direção a Lagoa da Donzela. A chuva estava caindo mais pesadamente até
    então. Brienne desmontou e tirou a égua da estrada para pegar algum abrigo
    entre as ruínas.
    O curso das muralhas do castelo ainda podia ser discernido entre o
    silvo e a erva daninha e olmos selvagens, mas as pedras que havia o erguido
    estavam espalhadas como bloco de crianças pela estrada. Mas, no entanto,
    parte do principal ainda se mantinha de pé. Suas triplas torres eram de
    granito cinza, como as paredes quebradas, mas os seus merlões eram de
    arenito amarelo. Três coroas, ela percebeu, enquanto olhava para elas
    através da chuva. Três coroas de ouro. Este havia sido um castelo Hollard.
    Sor Dontos havia nascido aqui. Ela levou sua égua entre os escombros para
    a entrada principal da fortaleza. Da porta, somente as dobradiças de ferro
    enferrujadas permaneceram, mas o teto ainda se sustentava, e estava seco lá
    dentro. Brienne amarrou a égua rente à parede, retirou o elmo e sacudiu os
    cabelos. Ela estava procurando por um pouco de madeira seca para acender o
    fogo, quando ouviu o som de outro cavalo se aproximando. Algum instinto a
    fez se afastar de volta para as sombras, onde ela não podia ser vista da
    entrada. Este foi o mesmo caminho onde ela e Sor Jaime haviam sido
    capturados. Ela não tinha a intenção de sofrer isso de novo.
    O cavaleiro era um pequeno homem. O Rato Louco, pensou ela
    quando teve seu primeiro vislumbre dele. De alguma forma ele me seguiu.
    Sua mão foi para o punho de sua espada, e ela viu perguntando-se se Sor
    Shadrich poderia pensar que ela era presa fácil só porque era uma mulher. O
    castelão de Lorde Grandison havia cometido este erro uma vez. Humfrey
    Wagstaff era o seu nome, um orgulhoso homem de sessenta e cinco anos.
    Com o nariz parecido com o de um falcão e uma cabeça manchada. No dia
    em que tinham ficado prometidos, ele advertiu Brienne que esperava que ela
    fosse uma mulher boa já que iriam se casar.
    — Eu não ver ter minha senhora esposa pinoteando em uma cota de
    homem. Sobre isso você deve obedecer-me, para que eu não seja obrigado a
    castigá-la.
    Ela tinha dezesseis anos e não era estranha a uma espada, mas ainda
    era tímida, apesar de sua proeza no quintal. No entanto, de alguma forma ela

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:34 pm

    encontrara coragem de dizer a Sor Humfrey que só aceitaria castigo de um
    homem que poderia lutar com ela. O velho cavaleiro ficou púrpura, mas
    concordou em vestir sua própria armadura e ensiná-la o lugar de uma
    mulher. Eles lutaram com armas de torneio, então, a maça de Brienne não
    tinha espinhos. Ela quebrou a clavícula de Sor Humfrey, duas costelas e o
    noivado. Ele foi seu terceiro respectivo marido, e o último. Seu pai não
    insistiu novamente. Se Sor Shadrich fosse ladrando em seus calcanhares, ela
    poderia muito bem ter uma luta em suas mãos. Ela não tinha intenção de se
    associar com o homem ou deixá-lo segui-la até Sansa. Ele tem o tipo de
    arrogância que vem com as habilidades com as armas, ela pensou, mas ele é
    pequeno. Eu tenho o alcance dele, e devo ser mais forte também. Brienne era
    tão forte quando a maioria dos cavaleiros, e seu antigo mestre de armas
    costumava dizer que ela era mais rápida do que qualquer mulher do seu
    tamanho tinha o direito de ser. Os deuses haviam dado a ela perseverança
    também, o que Sor Goodwin considerava um nobre dom. Luta de espada e
    escudo era cansativo, e a vitória frequentemente ia para o homem com mais
    resistência. Sor Goodwin havia lhe ensinado a lutar com cautela, para
    conservar sua força deixando os inimigos gastarem as suas em ataques
    furiosos.
    — Os homens sempre vão subestimar você — ele disse. — E seu
    orgulho vai fazê-los querer aniquilá-la rapidamente, para não dizer que uma
    mulher lutou duramente.
    Ela tinha aprendido a verdade quando foi para o mundo. Mesmo
    Jaime Lannister tinha visto ela deste jeito, nas florestas de Lagoa da
    Donzela. Se os deuses são bons, o Rato Louco iria cometer este mesmo erro.
    Ele pode ser um cavaleiro experiente, ela pensou, mas ele não é Jaime
    Lannister. Ela deslizou sua espada da bainha. Mas não foi o cavalo castanho
    de Sor Shadrich que caminhou pela estrada bifurcada, mas um velho cavalo
    malhado com um rapaz magro em suas costas. Quando Brienne viu o cavalo
    ela recuou, confusa. Apenas algum menino, ela pensou, até que vislumbrou o
    rosto debaixo da capa. O garoto em Valdocaso, aquele que trombou comigo.
    É ele.
    O meninão não deu ao castelo em ruínas nem um relance, mas olhou
    para baixo em uma estrada, e depois na outra. Após um momento de
    hesitação ele virou o cavalo para as colinas e continuou se arrastando.
    Brienne o viu se afastar através da chuva que caia, e de repente lhe veio que
    ela havia visto este mesmo menino em Rosby. Ele está me perseguindo, ela
    se deu conta, mas esse é um jogo que dois podem jogar. Ela desamarrou a
    égua, subiu de volta para a sela e foi atrás dele.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:34 pm

    O garoto estava olhando para o chão enquanto cavalgava,
    observando os sulcos na estrada enchidos com água. A chuva abafava o som
    de sua abordagem, e com certeza seu capuz desempenhou esse papel
    também. Ele não olhou para trás uma só vez, até que Brienne trotou por trás
    dele e deu ao seu cavalo uma pancada na garupa com a folha de sua espada
    longa. O cavalo empinou, e o garoto magro saiu voando, sua capa batendo
    como asas. Ele pousou na lama e se ergueu com grama morta e suja entre os
    dentes, encontrando Brienne de pé sobre ele. Era o mesmo rapaz, sem
    duvida. Ela o reconheceu do chiqueiro.
    — Quem é você? — Ela exigiu.
    A boca do menino trabalhou silenciosamente. Seus olhos eram
    grandes como ovos.
    — Puh — foi tudo o que ele conseguiu falar — Puh — sua cota de
    malha fez um som de chocalho quando ele estremeceu. — Puh. Puh.
    — Por favor? — disse Brienne — Você esta dizendo por favor? —
    ela deslizou a ponta da espada para o seu pomo de adão. — Por favor, me
    diga quem você é, e porque está me seguindo.
    — Não puh-puh-por favor. — Ele enfiou um dedo em sua boca e
    cuspiu fora um amontoado de lama, tossindo. — Puh-puh-Pod. Meu nome.
    Puh.puh.Podrick. Puh-Payne.
    Brienne abaixou a espada. Sentiu uma onda de simpatia pelo garoto.
    Ela se lembrou um dia do Entardecer, um jovem cavaleiro com uma rosa na
    mão. Ele trouxe a rosa para dar a mim. Ou assim sua septã lhe contou. Tudo
    o que ele teve que fazer era recebê-lo no castelo de seu pai. Ele tinha dezoito
    anos, com longos cabelos ruivos que caiam até seus ombros. Ela tinha doze
    anos, firmemente atada em um novo e duro vestido, seu corpete brilhando
    com granadas. Os dois eram da mesma altura, mas ela não conseguia olhar
    nos olhos dele, nem dizer as palavras simples que os septões haviam lhe
    ensinado. Sor Ronnet, eu lhe desejo boas vindas aos salões de meu pai. É
    bom olhar em seu rosto finalmente.
    — Porque você esta me seguindo? — Ela perguntou ao garoto —
    Você foi ordenado a me espionar? Você pertence à Varys? Ou a rainha?
    — Não e não. Nenhum deles.
    Brienne chutou sua idade em dez, mas ela era terrível em dizer a
    idade de uma criança. Ele sempre pensava que eram mais jovens do que
    realmente eram. Talvez porque foi uma criança muito grande para sua idade.
    Grande Extravagância, Septã Roelle costumava dizer, e masculinizada.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:35 pm

    — Esta estrada é muito perigosa para um menino sozinho.
    — Não para um escudeiro. Eu sou um escudeiro. O Escudeiro da
    Mão.
    — Lord Tywin? — Brienne embainhou sua espada.
    — Não. Não essa Mão. A Mão antes dele. Seu filho. Eu lutei com
    ele na batalha. Eu gritei “Meio homem! Meio homem!”
    O escudeiro do Duende. Brienne nunca soube que ele tinha um.
    Tyron Lannister não era cavaleiro. Talvez ele tivesse um menino ou dois
    para servi-lo, ela supunha, um pajé e um copeiro, alguém para ajudá-lo a se
    vestir. Mas um escudeiro?
    — Porque você esta me perseguindo? — disse — o que você quer?
    — Encontra-la — ele ficou de pé. – Minha senhora. Você está
    procurando por ela. Brella me contou. Ela é sua esposa. Não Brella, a
    Senhora Sansa. Então eu pensei, se você encontrá-la... — seu rosto
    contorceu-se em uma agonia repentina. — Eu sou seu escudeiro — ele
    repediu, com a chuva caindo em seu rosto — Mas ele me deixou.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:35 pm

    Sansa 178



    Uma vez, quando ela era apenas uma garotinha, um cantor viajante
    tinha ficado com eles em Winterfell por meio ano. Ele era um
    homem idoso de cabelos grisalhos e rosto curtido pelo vento, mas
    ele cantou sobre cavaleiros, feitos e lindas mulheres, e Sansa derramou
    lágrimas amargas quando ele os deixou, implorando a seu pai para que não o
    deixasse partir.
    — O homem tocou para nós todas as músicas que sabia pelo menos
    três vezes. — Lorde Eddard disse-lhe com carinho. — Eu não posso mantêlo
    aqui contra sua vontade. No entanto, você não precisa chorar. Eu prometo
    a você, outros cantores virão.
    Porém, eles não vieram, não por um ano ou mais. Sansa havia orado
    para os Sete em seu septo e para os deuses antigos da árvore-coração,
    pedindo a eles para trazerem o velho homem de volta, ou melhor ainda,
    mandarem um outro cantor, jovem e charmoso. Mas os deuses não lhe
    responderam, e os salões de Winterfell permaneceram em silêncio.
    Mas isso foi quando ela era uma garotinha, e tola. Ela era uma
    donzela agora, tinha treze anos e havia florescido. Todas as suas noites
    estavam cheias de música, e durante o dia ela rezava por silêncio.
    Se o Ninho da Águia tivesse sido construído como os outros
    castelos, somente os ratos e os guardas teriam ouvido o canto do homem
    morto. As paredes das masmorras eram grossas o suficiente para engolir
    tanto canções quanto gritos. Mas as celas do céu tinham uma parede de ar,
    por isso todo acorde que o homem morto tocava voava livre para ecoar nas
    rochas da Lança do Gigante. E as músicas que ele escolheu... Ele cantou
    sobre a Dança dos Dragões, do justo Jonquil e seu bobo, de Jenny de
    Pedravelhas e o Príncipe das Libélulas. Ele cantou sobre traições e dos mais
    sujos assassinatos, de homens enforcados e vinganças sangrentas. Ele cantou
    sobre pesar e tristeza.
    Onde quer que fosse no castelo, Sansa não podia escapar da música.
    Ela flutuava pelos degraus da torre mais sinuosa, encontrava-a nua em seu
    banho, jantava com ela ao anoitecer, e entrava furtivamente em seu quarto de
    dormir mesmo quando ela trancava as janelas. Ela vinha com o ar frio e
    rarefeito, dando-lhe calafrios. Embora não tenha nevado no Ninho da Águia
    desde que a Senhora Lysa caiu, as noites tinham sido muito frias.
    A voz do cantor era forte e doce. Sansa pensava que ele soava
    melhor do que ela já ouvira antes, sua voz mais rica de alguma forma, cheia

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:35 pm

    de medo, dor e saudade. Ela não entendia porque os deuses deram tal voz a
    um homem tão mau. Ele teria me tomado à força nos Dedos se Petyr não
    tivesse enviado Sor Lothor para cuidar de mim, ela teve que se lembrar. E
    ele tocou para abafar os meus gritos quando a tia Lysa tentou me matar.
    Isso não tornava as músicas mais fáceis de ouvir.
    — Por favor — ela havia implorado à Lorde Petyr — Você não pode
    fazê-lo parar?
    — Eu dei ao homem a minha palavra, doçura. — Petyr Baelish,
    Senhor de Harrenhal, Senhor Supremo do Tridente, e Lorde Protetor do
    Ninho da Águia e do Vale de Arryn, olhou para cima da carta que estava
    escrevendo. Ele tinha escrito uma centena de cartas desde a queda da
    Senhora Lysa. Sansa tinha visto os corvos indo e vindo do aviário. — Eu
    prefiro sofrer o seu canto do que ouvir o seu choro.
    É melhor que ele cante, sim, mas...
    — Ele deve tocar a noite toda, meu senhor? Lorde Robert não
    consegue dormir. Ele chora...
    — Por sua mãe. O que não pode ser ajudado, a moça está morta. —
    Petyr deu de ombros — Não será por muito mais tempo. Lorde Nestor fará
    sua subida no dia seguinte.
    Sansa conheceu Lorde Nestor Royce uma vez antes, após o
    casamento de Petyr com sua tia. Royce era o Guardião dos Portões da Lua, o
    grande castelo que ficava no sopé da montanha e protegia o caminho até o
    Ninho da Águia. Os convidados do casamento tinham passado a noite lá
    antes de empreenderem a subida. Lorde Nestor tinha escassamente olhado
    para ela duas vezes, mas a perspectiva de vê-lo ali a apavorava. Ele também
    era o Alto Administrador do Vale, um vassalo de Jon Arryn e da Senhora
    Lysa.
    — Ele não vai... Você não deixará Lorde Nestor ver Marillion, vai?
    Seu horror deve ter transparecido em seu rosto, já que Petyr largou
    sua pena.
    — Muito pelo contrário. Eu vou insistir nisso. — Ele acenou para
    que ela se sentasse ao lado dele. — Nós chegamos a um acordo, Marillion e
    eu. Mord pode ser tão persuasivo... E se nosso cantor nos desapontar e cantar
    uma canção que não seja de nosso interesse... então bastará dizermos que ele
    está mentindo. Em quem você imagina que Lorde Nestor vai acreditar?
    — Em nós? — Sansa teria dado qualquer coisa para estar certa.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:35 pm

    — É claro. Nossas mentiras serão seu lucro.
    O solar estava morno, o fogo crepitando alegremente na lareira, mas
    Sansa estremeceu do mesmo jeito.
    — Sim, mas... E se...?
    — E se Lorde Nestor valoriza mais honra do que lucro? — Petyr
    colocou seu braço em volta dela — E se ele quer a verdade, se procura
    justiça para sua senhora assassinada? — Ele sorriu — Eu conheço Lorde
    Nestor, doçura. Você acha que eu o deixaria machucar minha filha?
    Eu não sou sua filha, ela pensou. Eu sou Sansa Stark, filha do
    Senhor Eddard e da Senhora Catelyn, o sangue de Winterfell. Porém, ela
    não disse isso. Se não fosse por Petyr Baelish seria Sansa que teria girado
    através de um céu azul e frio para a morte nas pedras seiscentos metros
    abaixo em vez de Lysa Arryn. Ele é tão ousado. Sansa queria ter sua
    coragem. Tudo que ela queria era rastejar de volta para sua cama, esconderse
    debaixo dos cobertores para dormir e dormir. Ela não havia dormido uma
    noite inteira desde a morte da Senhora Lysa Arryn.
    — Você não poderia dizer à Lorde Nestor que eu estou... Indisposta,
    ou...
    — Ele vai querer ouvir seu relato sobre a morte de Lysa.
    — Meu Senhor, e se Marillion falar a verdade...
    — Se ele mentir, você quer dizer.
    — Mentir?... Sim, se ele mentir, então será minha palavra contra a
    dele, e Lorde Nestor só terá que olhar em meus olhos para ver quão
    assustada eu estou...
    — Um pouco de medo não será fora de lugar, Alayne. Você
    testemunhou uma cena terrível. Nestor vai se comover. — Petyr estudou
    seus olhos, como se os visse pela primeira vez. — Você tem os olhos de sua
    mãe. Olhos honestos e inocentes. Azuis como o mar iluminado pelo sol.
    Quando você estiver um pouco mais velha, muitos homens vão se afogar
    nestes olhos.
    Sansa não sabia o que dizer a isso.
    — Tudo o que você precisa fazer é contar à Lorde Nestor o que você
    contou à Lorde Robert. — Petyr continuou.
    Robert é apenas um garotinho doente, ela pensou, Lorde Nestor é
    um homem crescido, rigoroso e desconfiado. Robert não era forte e tinha de
    ser protegido, mesmo da verdade.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:36 pm

    — Algumas mentiras são por amor. — Petyr assegurou-lhe. Ela se
    lembrou disso.
    — Quando nós mentimos para Lorde Robert foi apenas para poupálo.
    — Ela disse.
    — E essa mentira pode nos poupar. De outra forma eu e você
    deixaremos o Ninho da Águia pela mesma porta de saída que Lysa usou. —
    Petyr pegou sua pena novamente. — Vamos servir-lhe mentiras e dourado
    da Árvore, e ele beberá e pedirá por mais, eu prometo.
    Ele está me servindo mentiras da mesma forma, Sansa percebeu.
    Porém, elas eram mentiras reconfortantes, e ele as dizia com boa intenção.
    Uma mentira não é tão ruim se é dita com boa intenção. Se somente ela
    pudesse acreditar...
    As coisas que sua tia havia dito pouco antes de cair ainda
    incomodavam muito Sansa. ‘Delírios, Petyr explicou. Minha esposa estava
    louca, você mesma viu. ’ E ela tinha visto. Tudo o que fiz foi construir um
    castelo de neve e ela queria me empurrar para fora pela Porta da Lua. Petyr
    me salvou. Ele amava minha mãe também, e...
    E ela? Como ela podia duvidar? Ele a tinha salvado.
    Ele salvou Alayne, sua filha, uma voz dentro dela sussurrou.
    Mas ela era Sansa também... E às vezes parecia que o Lorde Protetor
    era dois homens também. Ele era Petyr, seu protetor, amoroso, divertido e
    gentil. Mas ele também era Mindinho, o Lorde que ela tinha conhecido em
    Porto Real, sorrindo maliciosamente e acariciando sua barba enquanto
    sussurrava no ouvido da rainha Cersei. E Mindinho não era seu amigo.
    Quando Joff bateu nela, o Duende a defendeu, não Mindinho. Quando a
    multidão tentou estuprá-la, o Cão a levou para a segurança, não Mindinho.
    Quando os Lannister a casaram com Tyrion contra sua vontade, foi Sor
    Garlan, o Valente que lhe deu conforto, não Mindinho. Mindinho nunca
    levantou um único dedo mindinho por ela.
    Exceto para me libertar, isso ele fez por mim. Eu pensava que era
    Sor Dontos, meu pobre Florian bêbado, mas foi Petyr o tempo todo.
    Mindinho era apenas uma máscara que ele teve que usar. Mas às vezes
    Sansa achava difícil dizer onde o homem começava e a máscara terminava.
    Mindinho e Lorde Petyr eram muito parecidos. Ela teria fugido dos dois,
    talvez, mas não havia para onde ir. Winterfell tinha sido queimada; Bran e
    Rickon estavam mortos e frios; Robb tinha sido traído e assassinado nas
    Gêmeas, assim como a senhora sua mãe. Tyrion foi condenado à morte por
    matar Joffrey, e se ela voltasse para Porto Real a rainha teria sua cabeça

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:36 pm

    também. A tia que ela acreditava que iria protegê-la tinha tentado assassinála
    ao invés disso. Seu tio Edmure era um cativo dos Frey, enquanto seu tio
    avô, Peixe Negro, estava sob cerco em Correrrio. Eu não tenho nenhum
    lugar além daqui, Sansa pensou miseravelmente, e nenhum amigo além de
    Petyr.
    Naquela noite o morto cantou “O Dia Em Que Enforcaram Robin, o
    Negro”, “As Lágrimas da Mãe” e “As Chuvas de Castamere”. Então ele
    parou um pouco, mas assim que Sansa começou a cochilar ele começou a
    tocar novamente. Ele cantou “Seis Dores”, “Folhas Caídas” e “Alysanne”.
    Canções tão tristes, ela pensou. Quando ela fechava os olhos podia vê-lo em
    sua cela do céu, amontoado em um canto o mais longe possível do frio e
    escuro céu, coberto com uma pele e com sua harpa embalada em seu peito.
    Mas eu não posso ter pena dele, ela disse a si mesma. Ele é vaidoso e cruel,
    e em breve estará morto. Ela não podia salvá-lo. E além disso, porque ela
    iria querer? Marillion tinha tentado estuprá-la, e Petyr tinha salvado sua vida,
    não uma, mas duas vezes. Às vezes você precisa mentir. Apenas mentiras a
    mantiveram viva em Porto Real. Se ela não tivesse mentido para Joffrey, sua
    Guarda Real a teria espancado até a morte.
    Depois de ‘Alysanne’ o cantor parou novamente por tempo
    suficiente para Sansa arrebatar uma hora de sono. Mas quando a primeira luz
    da manhã arranhou sua janela lhe chegaram os primeiros suaves acordes de
    “Em uma Manhã Sombria”, e ela acordou de imediato. Aquela era uma
    canção mais apropriada para uma mulher, um lamento cantado por uma mãe
    na manhã após uma terrível batalha enquanto ela procura entre os mortos o
    corpo de seu filho único. A mãe canta sua tristeza por seu filho morto,
    pensou Sansa, mas Marillion chora por seus dedos, por seus olhos.
    A letra da canção chegou até ela como flechas que perfuraram a
    escuridão.
    Oh, você viu meu garoto, bom senhor?
    Seu cabelo é castanho
    Ele prometeu que voltaria para mim
    Para nossa casa na Cidade Wendish.
    Sansa tapou os ouvidos com um travesseiro de penas de ganso para
    não ouvir o resto da canção, mas não adiantou. O dia havia chegado e ela
    estava acordada, e Lorde Nestor Royce estava subindo a montanha.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:36 pm

    O Alto administrador e sua comitiva chegaram ao Ninho da Águia
    no final da tarde, quando o vale se tornou dourado e vermelho atrás deles, e
    o vento começou a aumentar. Ele trouxe seu filho Sor Albar, juntamente
    com uma dúzia de cavaleiros e vinte soldados.
    Tantos estranhos. Sansa olhou para seus rostos ansiosamente. Será
    que eles eram amigos ou inimigos?
    Petyr deu boas vindas aos visitantes em um gibão de veludo preto
    com mangas cinza que combinavam com as calças de lã e deixavam uma
    certa sombra em seus olhos verdes acinzentados. Meistre Colemon estava
    ao lado dele, suas correntes de muitos metais soltas sobre o seu pescoço
    longo e magro. Embora o meistre fosse muito mais alto que os dois homens,
    foi o Lorde Protetor que chamou atenção. Ele tinha deixado de lado os seus
    sorrisos para o dia, parecia. Ele ouviu solenemente enquanto Royce
    apresentava os cavaleiros que o acompanhavam e então disse:
    — Meus senhores, sejam bem-vindos aqui. Vocês conhecem nosso
    Meistre Colemon, é claro. Lorde Nestor, você se lembra de Alayne, minha
    filha natural?
    — Com certeza. — Lorde Nestor Royce tinha pescoço de touro,
    peito de barril, careca, uma barba grisalha e olhar severo. Ele inclinou a
    cabeça em saudação.
    Sansa fez uma reverência, assustada demais para falar, temerosa de
    dizer algo inconveniente. Petyr chamou-a.
    — Doçura, seja uma boa menina e traga Lorde Robert ao Alto Salão
    para receber seus convidados.
    — Sim, pai. — Sua voz soou fina e tensa. A voz de uma mentirosa,
    ela pensou enquanto se apressava em subir os degraus e atravessava a galeria
    para a Torre da Lua. Uma voz culpada.
    Gretchel e Maddy estavam ajudando Robert Arryn a se contorcer em
    suas calças quando Sansa entrou em seu quarto. O Senhor do Ninho da
    Águia tinha estado chorando novamente. Seus olhos estavam vermelhos e
    irritados, os cílios duros, o nariz inchado e com corrimento nasal. Um rastro
    de muco brilhava debaixo de uma narina, e seu lábio inferior estava
    sangrando onde ele tinha mordido. Lorde Nestor não pode vê-lo assim,
    Sansa pensou, desesperada.
    — Gretchel, traga para mim o lavatório — Ela pegou o menino pela
    mão e levou-o para a cama — O meu doce Robin dormiu bem noite
    passada?

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:36 pm

    — Não. — Ele fungou — Eu não dormi nem um pouco, Alayne. Ele
    estava cantando de novo, e minha porta estava trancada. Eu pedi para eles
    me deixarem sair, mas ninguém veio. Alguém me trancou no meu quarto.
    — Isso foi mau deles. — Mergulhou um pano macio na água morna
    e começou a limpar o rosto dele... gentilmente, oh, muito gentilmente. Se
    você limpasse Robert muito rapidamente, ele podia começar a tremer. O
    menino era frágil e terrivelmente pequeno para sua idade. Ele tinha oito
    anos, mas Sansa tinha conhecido meninos de cinco anos mais encorpados.
    Os lábios de Robert tremeram.
    — Eu estava indo dormir com você.
    Eu sei que você estava. Doce Robin estava acostumado a meter-se
    na cama com sua mãe, até que ela se casou com Lorde Petyr. Desde a morte
    da Senhora Lysa ele fora pego vagando pelo Ninho da Águia em busca de
    outras camas. A que ele mais gostava era a de Sansa... razão pela qual ela
    pediu a Sor Lothor Brune para trancar sua porta noite passada. Ela não teria
    se importado se ele só dormisse, mas ele estava sempre tentando mamar em
    seus seios, e quando tinha pesadelos ele muitas vezes molhava a cama.
    — Lorde Nestor Royce subiu dos Portões para ver você. — Sansa
    limpou debaixo de seu nariz.
    — Eu não quero vê-lo. — ele disse — Eu quero uma estória. A
    estória do Cavaleiro Alado.
    — Depois — Sansa disse — Primeiro você deve ver Lorde Nestor.
    — Lorde Nestor tem uma verruga. — Ele disse, se contorcendo.
    Robert tinha medo de homens com verrugas. — Mamãe disse que ele era
    terrível.
    — Meu pobre doce Robin. — Sansa alisou seu cabelo para trás. —
    Você sente falta dela, eu sei. Lorde Petyr sente também. Ele a amava do
    mesmo modo que você. — Isso era uma mentira, embora dita com boa
    intenção. A única mulher que Petyr já amou foi a assassinada mãe de Sansa.
    Ele havia confessado tudo isso para a Senhora Lysa antes de empurrá-la pela
    Porta da Lua. Ela estava louca e perigosa. Ela assassinou o próprio marido,
    e teria me assassinado se Lorde Petyr não tivesse aparecido para me salvar.
    Robert não precisava saber disso, entretanto. Ele era apenas um
    garotinho doente que amava sua mãe.
    — Pronto. — Sansa disse. — Agora você parece um bom senhor.
    Maddy, traga sua capa.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:36 pm

    Era lã de carneiro, macia e quente, um lindo azul-celeste que
    ressaltava a cor creme de sua túnica. Ela a fixou sobre os ombros com um
    broche de prata em forma de lua crescente e tomou-o pela mão. Robert veio
    mansamente dessa vez.
    O Alto Salão havia sido fechado desde a queda da Senhora Lysa, e
    Sansa teve um calafrio ao adentrá-lo novamente. O salão era longo,
    grandioso e bonito, ela supunha, mas não gostava dele. Era um lugar pálido e
    frio no melhor dos tempos. Os pilares delgados pareciam dedos ossudos, e as
    veias azuis no mármore branco traziam a sua mente as veias da perna de uma
    velha. Embora cinquenta candelabros de prata cobrissem as paredes, menos
    de uma dúzia estavam acesos, de forma que as sombras dançavam sobre os
    pisos e se agrupavam em cada esquina. Seus passos ecoavam no mármore, e
    Sansa podia ouvir o barulho do vento na Porta da Lua. Eu não devo olhar
    para ela, disse a si mesma, se não eu vou começar a tremer tanto quanto
    Robert.
    Com a ajuda de Maddy, ela sentou Robert em seu trono de madeira
    com uma pilha de travesseiros embaixo dele e mandou dizer que o senhorio
    iria receber os convidados. Dois guardas em capas azul-celeste abriram as
    portas na extremidade inferior do salão, e Petyr trouxe-os para dentro pelo
    longo tapete azul que corria entre as fileiras de pilares brancos como ossos.
    O menino cumprimentou Lorde Nestor com cortesia e não fez
    nenhuma menção a sua verruga. Quando o Alto Administrador perguntou a
    ele sobre a senhora sua mãe as mãos de Robert começaram a tremer
    levemente.
    — Marillion machucou minha mãe. Ele jogou-a pela Porta da Lua.
    — E vossa senhoria viu isso acontecer? — perguntou Sor Marwyn
    Belmore, um cavaleiro loiro, alto e magro que tinha sido capitão dos guardas
    de Lysa até Petyr colocar Sor Lothor Brune em seu lugar.
    — Alayne viu. — o garoto falou — E o senhor meu padrasto.
    Lorde Nestor olhou para ela. Sor Albar, Sor Marwyin, Meistre
    Colemon, todos estavam olhando. Ela era minha tia, mas queria me matar,
    Sansa pensou. Ela me arrastou até a Porta da Lua e tentou me jogar para
    fora. Eu nunca quis um beijo. Eu estava construindo um castelo de neve. Ela
    abraçou a si mesma para não tremer.
    — Perdoem-na, meus senhores — Petyr Baelish disse suavemente
    — Ela ainda tem pesadelos com aquele dia. Não é de se admirar que ela não
    possa suportar falar sobre isso. — Ele veio por trás dela e colocou as mãos

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:37 pm

    gentilmente sobre seus ombros. — Eu sei como isso é difícil para você,
    Alayne, mas nossos amigos precisam ouvir a verdade.
    — Sim — Sua garganta parecia tão seca e apertada que quase lhe
    doía falar. — Eu vi... Eu estava com a Senhora Lysa quando... — Uma
    lágrima rolou por seu rosto. Isso é bom, uma lágrima é algo bom. —
    Quando Marillion a empurrou... — E ela disse o conto mais uma vez, mal
    ouvindo as palavras que eram cuspidas de sua boca.
    Um pouco antes que ela terminasse Robert começou a chorar, os
    travesseiros movendo-se perigosamente debaixo dele.
    — Ele matou minha mãe. Eu quero que ele voe! — O tremor em
    suas mãos tinha piorado, e seus braços estavam tremendo também. A cabeça
    do menino se sacudiu e seus dentes começaram a bater. — Voar! — Ele
    gritou — Voar, voar. — seus braços e pernas se agitavam loucamente.
    Lothor Brune caminhou até a plataforma a tempo de pegar o menino quando
    ele caiu do seu trono. Meistre Colemon estava apenas um passo atrás,
    embora não houvesse nada que ele pudesse fazer.
    Impotente como o resto, Sansa só pôde ficar e observar enquanto seu
    ataque de tremores continuava.
    Uma das pernas de Robert chutou Sor Lothor no rosto. Brune
    amaldiçoou, mas ainda segurou o garoto enquanto ele se contorcia e se
    debatia, molhando as calças. Os visitantes não disseram uma palavra; Lorde
    Nestor pelo menos já tinha visto isso antes. Passou muito tempo antes que os
    espasmos de Robert começassem a diminuir, e parecia que eles estavam
    durando cada vez mais tempo. No fim, o pequeno senhor estava tão fraco
    que não podia manter-se em pé.
    — Melhor levar seu senhorio para a cama e sangrar-lhe — Lorde
    Petyr disse. Brune ergueu o menino nos braços e o carregou do salão.
    Meistre Colemon o seguiu, seriíssimo.
    Quando seus passos se perderam na distância não havia mais
    nenhum som no Alto Salão do Ninho da Águia. Sansa podia ouvir o vento da
    noite gemendo lá fora e arranhando a Porta da Lua. Ela estava com muito
    frio e muito cansada. Será que eu devo contar a estória de novo? Ela se
    perguntou.
    Mas ela devia já ter dito o suficiente. Lorde Nestor limpou a
    garganta.
    — Eu não gostei do cantor desde o inicio — Ele resmungou — Eu
    pedi a Senhora Lysa para mandá-lo embora. Muitas vezes eu lhe pedi.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:37 pm

    — Você sempre lhe deu bons conselhos, meu senhor. — Petyr disse.
    — Ela não deu atenção a isso — Queixou-se Royce — Ela ouviu-me
    a contragosto e não deu atenção.
    — Minha senhora era muito confiante neste mundo — Petyr falou
    tão ternamente que Sansa teria acreditado que ele amava sua esposa. — Lysa
    não podia ver o mau nos homens, apenas o bem. Marillion cantava doces
    canções, e Lysa confundiu isso com sua natureza.
    — Ele nos chamou de porcos — Sor Albar Royce disse. Um
    cavaleiro robusto de ombros largos que raspava seu queixo, mas cultivava
    suíças que emolduravam seu rosto rústico como sebes, Sor Albar era uma
    versão jovem de seu pai. — Ele fez uma canção sobre dois porcos fungando
    em volta de uma montanha, comendo os restos de um falcão. Era uma
    canção sobre nós, mas quando lhe disse isso, ele riu. ‘Ora Sor, é uma canção
    sobre alguns porcos’, ele me disse.
    — Ele fez piada de mim também. — Sor Marwyn Belmore disse. —
    Sor Ding-Dong, ele me nomeou. Quando eu jurei que cortaria sua língua
    fora, ele correu para a Senhora Lysa e se escondeu atrás de suas saias.
    — Como ele frequentemente fazia — Lorde Nestor disse. — O
    homem era um covarde, mas o favor que a Senhora Lysa oferecia a ele o fez
    insolente. Ela vestiu-o como um senhor, deu-lhe anéis de ouro e um cinto de
    pedra da lua.
    — E o falcão favorito de Lorde Jon. — O gibão do cavaleiro
    mostrava as seis velas brancas de Waxley. — Sua senhoria amava aquele
    pássaro. Rei Robert deu a ele.
    Petyr Baelish suspirou.
    — Foi impróprio — Ele concordou — E eu coloquei um fim nisso.
    Lysa concordou em mandá-lo embora. Foi por isso que o chamou aqui,
    naquele dia. Eu devia ter estado com ela, mas nunca sonhei que... Se eu não
    tivesse insistido... Fui eu quem a matou.
    Não, Sansa pensou, você não deve dizer isso, você não deve dizer a
    eles, você não deve. Mas Albar Royce estava negando com sua cabeça.
    — Não, meu senhor, você não deve culpar a si mesmo. — Ele disse.
    — Isso foi trabalho do cantor — Seu pai concordou — Traga-o para
    cima, Lorde Petyr. Deixe-nos pôr fim a esse lamentável assunto.
    Petyr Baelish se recompôs e disse: — Como quiser, meu senhor.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:37 pm

    Ele se virou para seus guardas, deu uma ordem, e o cantor foi trazido
    das masmorras. O carcereiro Mord veio com ele, um homem monstruoso
    com pequenos olhos pretos e um rosto assimétrico cheio de cicatrizes. Uma
    orelha e parte da bochecha foram perdidas em alguma batalha, mas pelo
    menos uma dúzia de arrobas de carne pálida permaneceu. Suas roupas se
    encaixavam mal e ele exalava um odor rançoso.
    Em contraste Marillion parecia quase elegante. Alguém o havia
    banhado e vestido em calças azul-celeste e uma túnica branca folgada com
    mangas bufantes, e em sua cintura estava o cinto prateado que havia sido
    presente da Senhora Lysa. Luvas de seda branca cobriam suas mãos,
    enquanto uma atadura de seda branca poupou aos Lordes a vista de seus
    olhos.
    Mord permaneceu atrás dele com um chicote. Quando o carcereiro
    cutucou suas costelas, o cantor ficou de joelhos.
    — Bons Senhores, eu imploro vosso perdão.
    Lorde Nestor fez uma careta.
    — Você confessa seu crime?
    — Se eu tivesse olhos, choraria. — A voz do cantor, tão forte e
    segura durante a noite, estava rachada e sussurrante agora. — Eu a amava
    muito, não pude suportar vê-la em outros braços, saber que ela partilhava sua
    cama. Eu não quis fazer mal a minha doce senhora, eu juro. Eu bloqueei a
    porta para que ninguém nos perturbasse enquanto eu declarava minha
    paixão, mas a Senhora Lysa estava tão fria... Quando ela me disse que estava
    carregando uma criança de Lorde Petyr, uma... uma loucura me tomou...
    Sansa olhou para suas mãos enquanto ele falava. Maddy afirmou que
    Mord tinha tirado três de seus dedos, os dois mindinhos e um anelar. Seus
    dedos mindinhos pareciam um pouco mais rígidos que os outros, mas com as
    luvas era difícil ter certeza. Poderia ter sido não mais do que uma estória.
    Como Maddy saberia?
    — Lorde Petyr foi gentil o suficiente para me permitir manter minha
    harpa — O cantor cego disse — Minha harpa e... minha língua, para que eu
    possa cantar minhas músicas. A Senhora Lysa gostava tanto de me ouvir
    cantar...
    — Leve essa criatura para longe, eu gostaria de matá-lo eu mesmo
    — Lorde Nestor rosnou — Me deixa doente olhar para ele.
    — Mord, leve-o de volta para sua cela do céu. — Petyr disse.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:37 pm

    — Sim, meu senhor. — Mord agarrou Marillion pelo colarinho. —
    Sem mais conversa. — Quando ele falou, Sansa viu com surpresa que os
    dentes do carcereiro eram feitos de ouro. Eles observaram enquanto ele meio
    empurrava, meio arrastava o cantor em direção às portas.
    — O homem deve morrer — Sor Marywn Belmore declarou quando
    eles se foram — Ele deveria ter seguido a Senhora Lysa para fora da Porta
    da Lua.
    — Sem a sua língua — Lorde Albar Royce acrescentou — Sem
    aquela mentirosa e zombadora língua.
    — Eu tenho sido muito gentil com ele, eu sei. — Lorde Petyr disse
    em um apologético tom. — Verdade seja dita, eu tenho pena dele. Ele matou
    por amor.
    — Por amor ou ódio — Disse Belmore — Ele deve morrer.
    — Muito em breve — Sor Nestor disse rispidamente — Nenhum
    homem permanece por muito tempo na cela do céu. O azul irá chamá-lo.
    — Talvez chame — Disse Petyr Baelish — Mas se Marillion vai
    responder só depende dele. — Ele fez um gesto e seus guardas abriram as
    portas na extremidade do corredor. — Senhores, eu sei que vocês devem
    estar cansados após a subida. Aposentos foram preparados para todos vocês
    passarem a noite, e comida e vinho esperam por vocês no Baixo Salão.
    Oswell, mostre-lhes o caminho e garanta que tenham tudo que precisem. —
    Virou-se para Nestor Royce — Meu senhor, você vai se juntar a mim no
    solar para um copo de vinho? Alayne, doçura, venha nos servir.
    Um fogo baixo queimava no solar, onde um frasco de vinho os
    esperava. Dourado da Árvore. Sansa encheu o copo de Lorde Nestor
    enquanto Petyr incitava as toras com um atiçador de ferro.
    Lorde Nestor sentou-se ao lado do fogo.
    — Este não será o fim disso — Ele disse a Petyr, como se Sansa não
    estivesse ali — Meu primo pretende interrogar o cantor ele mesmo.
    — Yohn Bronze desconfia de mim. — Petyr empurrou um carvão de
    lado.
    — Ele pretende vir com um exército. Symond Templeton vai se
    juntar a ele, sem dúvida. E a Senhora Waynwood também, eu temo.
    — E Lorde Belmore; e Lorde Hunter, o Jovem; e Horton Redfort.
    Eles trarão Sam Stone, o Forte; e os Tollett, os Shett, os Coldwater, e alguns
    Corbray.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:37 pm

    — Você está bem informado. Quais Corbray? Não será Lorde
    Lyonel?
    — Não, seu irmão. Sor Lyn não gosta de mim, por algum motivo.
    — Lyn Corbray é um homem perigoso — Lorde Nestor disse
    obstinadamente — O que você pretende fazer?
    — O que posso fazer além de lhes dar boas-vindas se eles vierem?
    — Petyr revolveu as chamas mais uma vez e deixou o atiçador de lado.
    — Meu primo pretende removê-lo do posto de Lorde Protetor.
    — Se assim for, eu não poderei impedi-lo. Eu mantenho uma
    guarnição de vinte homens. Lorde Royce e seus amigos podem levantar
    vinte mil. — Petyr foi até a arca de carvalho que ficava embaixo da janela.
    — Yohn Bronze vai fazer o que tiver que fazer. — Ele disse, ajoelhando-se.
    Ele abriu a arca, tirou um rolo de pergaminho e o entregou à Lorde Nestor.
    — Meu Senhor. Este é um sinal do amor de minha senhora por você.
    Sansa assistiu Royce desenrolar o pergaminho.
    — Este... Isso é inesperado, meu senhor.
    Ela ficou surpresa ao ver lágrimas em seus olhos.
    — Inesperado, mas não imerecido. Minha senhora valorizava você
    acima de todos os seus outros bandeirantes. Fostes sua rocha, ela me contou.
    — Sua rocha — Lorde Nestor estava vermelho — Ela disse isso?
    — Frequentemente. E isto — Petyr gesticulou para o pergaminho —
    É a prova disso.
    — Isso... Isso é bom saber. Jon Arryn valorizava meu serviço, eu sei,
    mas a Senhora Lysa... ela desprezou-me quando vim para cortejá-la, e eu
    temia... — Lorde Nestor franziu o cenho — Ele tem o selo Arryn, eu vejo,
    mas a assinatura...
    — Lysa foi assassinada antes que o documento fosse levado para
    que ela assinasse, então eu assinei como Lorde Protetor. Eu sabia que teria
    sido seu desejo.
    — Eu vejo — Lorde Nestor enrolou o pergaminho. — Você é...
    honrado, meu senhor. Sim, e não sem coragem. Alguns chamarão a isso de
    concessão imprópria e culparão você por fazê-lo. O cargo de Guardião nunca
    foi hereditário. Os Arryn ergueram os Portões nos dias em que eles ainda
    usavam a Coroa Falcão e governavam o Vale como reis. O Ninho da Águia
    era sua sede de verão, mas quando a neve começava a cair a corte fazia sua

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:37 pm

    decida. Muitos dizem que os Portões eram tão reais quanto o Ninho da
    Águia.
    — Não houve nenhum rei no Vale há trezentos anos — Petyr
    Baelish apontou.
    — Os dragões vieram — Lorde Nestor concordou — Mas mesmo
    depois, os Portões permaneceram um castelo Arryn. O próprio Jon Arryn foi
    Guardião dos Portões enquanto seu pai viveu. Depois de sua ascensão ele
    nomeou seu irmão Ronnel, e mais tarde seu primo Denys.
    — Lorde Robert não tem irmãos, e apenas primos distantes.
    — Verdade — Lorde Nestor agarrou firmemente o pergaminho —
    Não vou dizer que não tive esperanças de que esse momento chegasse.
    Enquanto Lorde Jon governou o reino como a Mão, coube a mim governar o
    Vale para ele. Eu fiz tudo que era necessário e nunca pedi nada para mim
    mesmo. Mas, pelos deuses, eu merecia isso!
    — Você tem razão — disse Petyr — E Lorde Robert dorme mais
    facilmente sabendo que você está sempre lá, um amigo fiel ao pé da sua
    montanha. — Ele levantou uma taça — Então... um brinde, meu senhor. Pela
    Casa Royce, Guardiões dos Portões da Lua... agora e sempre!
    — Sim, agora e sempre! — As taças de prata chocaram-se.
    Depois, muito depois, após a jarra de Arbor dourado estar seca,
    Lorde Nestor despediu-se para juntar-se a sua companhia de cavaleiros.
    Sansa estava dormindo em pé naquela hora, querendo apenas rastejar para a
    sua cama, mas Petyr a pegou pelo pulso.
    — Você vê as maravilhas que podem ser conseguidas com mentiras
    e dourado da Árvore?
    Por que ela teve vontade de chorar? Era algo bom que Lorde Nestor
    estivesse do lado deles.
    — Era tudo mentira?
    — Nem tudo. Lysa frequentemente chamava Lorde Nestor de rocha,
    mas eu acho que não era como um elogio. Ela chamou seu filho de estúpido.
    Ela sabia que Lorde Nestor sonhava em governar os Portões por direito
    próprio, em ser um senhor de verdade e não apenas no nome. Mas Lysa
    sonhava com outros filhos, e pretendia que o castelo fosse para os
    irmãozinhos de Robert. — Ele se levantou — Você entende o que aconteceu
    aqui, Alayne?
    Sansa hesitou por um momento.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:38 pm

    — Você deu ao Lorde Nestor os Portões da Lua para ter certeza do
    seu apoio.
    — Certo — Petyr admitiu — Mas a nossa rocha é um Royce, o que
    quer dizer que ele é super orgulhoso e espinhoso. Se eu tivesse lhe
    perguntado o seu preço ele teria inchado como um sapo, zangado com a
    afronta que isso suporia a sua honra. Mas desta forma... o homem não é
    completamente estúpido, mas as mentiras que eu lhe servi eram mais doces
    que a verdade. Ele quer acreditar que Lysa o valorizava além dos outros
    vassalos. Um desses outros é Yohn Bronze, afinal de contas, e Lorde Nestor
    é muito consciente de que descende de um ramo menor da casa Royce. Ele
    quer mais para seu filho. Homens de honra fazem coisas por seus filhos que
    eles nunca considerariam fazer por si mesmos.
    Ela assentiu.
    — A assinatura... você poderia ter pedido a Lorde Robert que
    assinasse e selado para ele, mas ao invés disso...
    —... Assinei eu mesmo, como Lorde Protetor. Por quê?
    — Então... se você for removido, ou... ou morto...
    — ...A reivindicação de Lorde Nestor sobre os Portões de repente
    torna-se questionável. Eu prometo a você, isto não está perdido a ele. Foi
    inteligente de sua parte perceber isso, embora eu não esperasse menos da
    minha própria filha.
    — Obrigada — Ela sentiu-se absurdamente orgulhosa por encaixar
    tudo, mas igualmente confusa. — Eu não sou, no entanto, sua filha. Não de
    verdade. Quero dizer, eu pretendo ser Alayne, mas você sabe...
    Mindinho colocou um dedo sobre seus lábios.
    — Eu sei o que eu sei. E você também. Algumas coisas são
    melhores quando não ditas, doçura.
    — Mesmo quando estamos sozinhos?
    — Especialmente quando estamos sozinhos. De outra forma,
    qualquer dia desses entrará um empregado sem se anunciar, ou um guarda na
    porta ouvirá algo que não deve. Você quer mais sangue em suas preciosas
    mãozinhas, minha querida?
    O rosto de Marillion pareceu flutuar diante dela, a pálida bandagem
    sobre seus olhos. Atrás dele ela podia ver Sor Dontos, as setas da besta ainda
    presas nele.
    — Não — Ela disse — Por favor.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:38 pm

    — Sou tentado a dizer que este não é um jogo que jogamos, filha,
    mas é claro que é. O Jogo dos Tronos.
    Eu nunca pedi para jogar. O jogo era perigoso demais. Um
    escorregão e eu estou morta.
    — Oswell... meu senhor, Oswell remou para mim para fora de Porto
    Real na noite em que eu escapei. Ele deve saber quem eu sou.
    — Se ele tem metade da inteligência de uma ovelha, é claro que sim.
    Sor Lothos sabe também. Mas Oswell tem estado a meu serviço há muito
    tempo, e Brune é de uma natureza discreta. Kettleblack vigia Brune para
    mim, e Brune vigia Kettleblack. Não confie em ninguém. Uma vez eu disse
    isso a Eddard Stark, mas ele não me ouviu. Você é Alayne, e você deve ser
    Alayne o tempo todo. — Ele colocou dois dedos em seu seio esquerdo. —
    Mesmo aqui. Em seu coração. Você pode fazer isso? Você pode ser minha
    filha em seu coração?
    — Eu...
    Eu não sei, meu senhor, ela quase disse, mas não era isso que ele
    queria ouvir. Mentiras e Arbor dourado, ela pensou.
    — Eu sou Alayne, Pai. Quem mais eu seria?
    Lorde Mindinho beijou sua bochecha.
    — Com a minha inteligência e a beleza de Cat o mundo será seu,
    doçura. Agora vá para a cama.
    Gretchel havia colocado fogo em sua lareira e afofado seu colchão
    de penas. Sansa despiu-se e entrou debaixo dos cobertores. Ele não cantará
    esta noite, ela rezou, não com Lorde Nestor e os outros no castelo. Ele não
    ousaria. Ela fechou os seus olhos.
    Durante a noite ela acordou quando o pequeno Robert subiu em sua
    cama. Eu esqueci de dizer a Lothor para trancá-lo outra vez, ela percebeu.
    Não havia nada a ser feito agora, então ela colocou seu braço em torno dele.
    — Doce Robin? Você pode ficar, mas tente não se contorcer demais.
    Apenas feche seus olhos e durma, pequenino.
    — Eu vou — Ele se aconchegou mais perto e colocou a cabeça entre
    seus seios. — Alayne? Você é minha mãe agora?
    — Eu suponho que sim. — Ela disse. Uma mentira não era ruim se
    dita com boa intenção.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:40 pm

    A Filha da Lula Gigante 194


    O salão retumbava com os gritos bêbados dos Harlaws, todos primos
    distantes. Cada senhor tinha pendurado seus estandartes por trás das
    bancadas, onde os seus homens estavam sentados. Muito poucos,
    pensou Asha Greyjoy, olhando para baixo da galeria, de longe muito poucos.
    Três quartos dos bancos estavam vazios.
    A donzela Qarl dissera tantas vezes quando o Vento Negro estava se
    aproximando do mar. Ela havia contado os navios ancorados no castelo de
    seu tio, e sua boca tinha se apertado.
    — Eles não vieram, — observou ela, — ou não o suficiente deles. —
    Ela não estava errada, mas Asha não poderia concordar com ela onde sua
    tripulação pudesse ouvir. Ela não tinha dúvidas da devoção deles, mas
    mesmo os homens de ferro hesitariam em dar suas vidas por uma causa que
    é claramente perdida.
    Tenho tão poucos amigos? Entre as faixas, ela viu o peixe prateado
    dos Botley, a árvore de pedra dos Stonetree, o leviatã negro dos Volmark, os
    laços dos Myre. O resto eram foices dos Harlaw. A dos Boremund estava
    sobre um campo azul pálido, a de Hotho circundada por uma borda, pronta
    para o combate, e a do Cavaleiro tinha o vistoso pavão da casa de sua mãe.
    Até mesmo Sigfryd Cabelocinzento mostrava duas foices se enfrentado em
    um campo dividido. Somente Lorde Harlaw exibida uma foice prata, plana
    sobre um campo de noite preto, tal como fora em outros dias: Rodrik, o
    chamado Leitor, Senhor das Dez Torres, Senhor dos Harlaw, Harlaw dos
    Harlaw... seu tio favorito.
    O trono de Lorde Rodrik estava vazio. Duas foices de prata
    cruzavam-se sobre ele, tão grandes que até mesmo um gigante teria
    dificuldade em empunhá-las, mas abaixo tinha apenas almofadas vazias.
    Asha não ficou surpresa. A festa foi longa, concluiu. Somente ossos e pratos
    gordurosos permaneciam sobre as mesas de cavalete. Os que restavam
    estavam bebendo, e seu tio Rodrik nunca se agradou da companhia de
    bêbados briguentos.
    Ela virou-se para Três-Dentes, uma velha de idade inimaginável que
    tinha sido mordoma de seu tio desde que ela era conhecida como Doze-
    Dentes.
    — Meu tio está com seus livros?

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:40 pm

    — Sim, onde mais estaria? — A mulher era tão velha que um septão
    tinha dito uma vez que ela deve ter amamentado a Velha. Foi quando a fé
    ainda era tolerada nas ilhas. Lorder Rodrik manteve os septãos nas Dez
    Torres, não por causa de sua alma, mas para cuidarem de seus livros. —
    Com os livros, e com Botley. Ele estava com ele também.
    O estandarte de Botley estava pendurado no salão, um cardume de
    peixes de prata sobre um campo verde pálido, embora Asha não tivesse visto
    seu Barbatana Veloz entre os outros navios.
    — Eu tinha ouvido que o meu tio Olho de Corvo tinha mandado
    afogar Sawane Botley.
    — Este é o Senhor Tristifer Botley.
    Tris. Ela se perguntou o que havia acontecido com o filho mais
    velho de Sawane, Harren. Eu vou descobrir em breve, sem dúvida. Isso é
    estranho. Ela não tinha visto Tris Botley desde... não, ela não deveria pensar
    nisso.
    — E a Senhora minha mãe?
    — De cama, — disse Três-Dentes, — na Torre da Viúva.
    Sim, onde mais? A Torre da Viúva foi nomeada devido a sua tia. A
    Senhora Gwynesse tinha vindo para casa a chorar depois que seu marido
    tinha morrido em Ilha Bela durante a primeira rebelião de Balon Greyjoy.
    — Só vou ficar até a minha dor passar, — ela disse a seu irmão uma
    frase que entrou para a história, — embora por direito as Dez Torres devam
    ser minhas, porque eu sou sete anos mais velha. — Longos anos se passaram
    desde então, mas a viúva ainda demorava ali, de luto, e murmurava de vez
    em quando que o castelo deveria ser dela. E agora Lorde Rodrik tem outra
    irmã viúva e meio louca vivendo sob o seu teto, Asha refletiu. Não é de
    admirar que ele procure consolo em seus livros.
    Mesmo agora, era difícil acreditar que a frágil e doentia Senhora
    Alannys tinha sobrevivido a seu marido, Lorde Balon, que parecia tão duro e
    forte. Quando Asha navegou para a guerra, ela o tinha feito com o coração
    pesado, temendo que sua mãe morresse antes que ela pudesse voltar.
    Nenhuma vez pensou que pudesse ser o seu pai a morrer. O Deus Afogado
    joga brincadeiras selvagens sobre todos nós, mas os homens são ainda mais
    cruéis. Uma tempestade repentina e uma corda partida tinham enviado Balon
    Greyjoy à sua morte. Ou assim disseram.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:40 pm

    Asha tinha visto sua mãe pela última quando ela parou em Dez
    Torres para armazenar água doce, em seu caminho para o norte para atacar
    Bosque Profundo. Alannys Harlaw nunca tivera a sorte da beleza que
    cantavam os bardos, mas a filha adorava o rosto forte e feroz, e o riso em
    seus olhos. Nessa última visita, porém, ela havia encontrado a Senhora
    Alannys em um assento abaixo da janela, amontoada debaixo de uma pilha
    de peles, olhando através do mar. É esta a minha mãe, ou o seu fantasma?
    Lembrou-se pensar lhe dando um beijo na bochecha.
    A Pele de sua mãe era fina como pergaminho, e seus longos cabelos
    eram brancos. Permanecia algum orgulho na forma com a qual ela erguia sua
    cabeça, mas seus olhos eram escuros e nublados, e sua boca tremeu quando
    ela perguntou sobre Theon.
    — Você trouxe o meu menino? — Ela tinha perguntado. Theon
    tinha dez anos de idade quando foi levado para Winterfell como refém, e,
    parecia à Senhora Alannys que ele sempre tivera a mesma idade.
    — Theon não pôde vir — Asha teve que lhe dizer. — O pai o enviou
    para saquear a Costa Pedregosa. — A Senhora Alannys não tinha nada a
    dizer sobre isso. Ela só balançou a cabeça lentamente, mas qualquer um
    podia ver o quão profundo as palavras de sua filha a tinham cortado.
    E agora devo dizer-lhe que Theon está morto, tenho que cravar
    outro pedaço de punhal em seu coração. Já tem dois pedaços encravados lá.
    Em suas lâminas estão escritas as palavras Rodrik e Maron, e muitas vezes
    elas se retorcem dolorosamente durante a noite. Vou vê-la no dia seguinte,
    Asha jurou a si mesma. Sua jornada tinha sido longa e cansativa, ela não
    poderia enfrentar sua mãe agora.
    — Preciso falar com o Lorde Rodrik, — disse ela a Três-Dentes. —
    Vá ver a minha tripulação, uma vez que seja feito o descarregamento do
    Vento Negro. Eles irão trazer cativos. Eu quero que eles tenham camas
    quentes e uma refeição quente.
    — Tem carne fria na cozinha. E mostarda em uma jarra de pedra
    grande, de Vilavelha. — O pensamento da mostarda fez a velha sorrir. Um
    único dente, longo e marrom, brotando de sua gengiva.
    — Isso não vai servir. Fizemos uma travessia difícil. Eu quero algo
    quente em suas barrigas. — Asha apoiou um polegar sobre o cinto cravejado
    sobre seus quadris. — A Senhora Glover e as crianças devem ter madeira
    para o calor. Coloque-os em alguma torre, não as masmorras. O bebê está
    doente.

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    Re: O Festim dos Corvos

    Mensagem  Admin em Qua Jun 20, 2012 2:40 pm

    — Babes ficam doentes muitas vezes. A maioria morre, e as pessoas
    lamentam muito. Vou perguntar ao meu senhor onde colocar esses amigos
    do lobo.
    Ela pegou a mulher pelo nariz, entre o polegar e o indicador, e
    retorceu.
    — Você vai fazer o que eu digo. E se essa criança morrer, ninguém
    vai lamentar mais do que você. — Três-Dentes gritou e prometeu obedecer,
    Asha a soltou e foi procurar seu tio.
    Era bom andar por aqielas salas novamente. Asha sempre se sentiu
    em Dez Torres como se estivesse em casa, muito mais do em Pyke. Não é
    um castelo, são dez castelos juntos, ela tinha pensado na primeira vez que as
    viu. Lembrou-se das corridas sem fôlego para cima e para baixo, os passos e
    as caminhadas sobre as muralhas e nas pontes cobertas, e a pesca no cais de
    pedra, os dias e noites perdidas entre a riqueza dos livros de seu tio. O avô
    de seu avô tinha levantado aquele castelo, o mais novo das ilhas. Lorde
    Theomore Harlaw tinha perdido três filhos no berço e colocou a culpa sobre
    os porões inundados, as pedras úmidas e o salitre supurante da antiga Torre
    de Harlaw. Dez Torres era mais arejado, mais confortável, melhor situado...
    Mas Lorde Theomore era um homem mutável, como qualquer uma de suas
    esposas testemunharam. Ele tinha seis dessas, tão diferentes entre si quanto
    as Dez Torres.
    A Torre dos Livros era a mais gorda das dez, em forma octagonal e
    feita com grandes blocos de pedras lavradas. A escada foi construída dentro
    da espessura das paredes. Asha subiu rapidamente, entrando no quinto andar,
    onde seu tio costumava ler. Não que existam salas onde ele não leia. Lorde
    Rodrik raramente era visto sem um livro na mão, fosse na privada, no convés
    do seu Canção do Mar ou durante uma audiência. Asha já o tinha já visto
    lendo em seu trono, sob as foices de prata. Ele escutava os casos quando
    eram colocados diante dele, pronunciava o seu julgamento... e lia um pouco,
    enquanto o capitão da guarda ia trazer o suplicante seguinte.
    Encontrou-o debruçado sobre uma mesa atrás de uma janela, cercado
    por rolos de pergaminho que podiam ter vindo de Valyria antes da Perdição,
    e livros de pesada capa de couro e ferrolhos de ferro e bronze. Velas de cera
    de abelha com espessura e altura de braços de um homem queimavam em
    ambos os lados de onde se sentava, em suportes de ferro ornamentado. Lorde
    Rodrik Harlaw não era nem gordo nem magro, nem alto nem baixo, nem feio
    nem bonito. Seus cabelos eram castanhos, assim como seus olhos, embora a
    barba curta e elegante tivesse se tornado cinza. Posto tudo, ele era um
    homem comum, que se distinguia apenas por seu amor pelas palavras

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    Re: O Festim dos Corvos

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