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    Parte 2 3 realm

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:33 pm

    mantendo afastadas as multidões que tinham vindo assistir. O sol reíulgia nos discos de cobre
    polido costurados aos seus mantos com um brilho que cegava, mas Dany não pôde deixar de
    reparar como seus cavalos pareciam nervosos. Temem os dragões. E não é de admirar que os
    temam.
    Kraznys ordenou a um escravo que a ajudasse a descer da sela. Ele tinha as mãos ocupadas;
    uma agarrava o tokar, enquanto a outra empunhava um ornamentado chicote.
    - Aqui estão eles. - Olhou para Missandei. - Diga-lhe que são seus... se puder pagar.
    - Pode - disse a garota.
    Sor Jorah ladrou uma ordem, e a mercadoria foi trazida. Seis fardos de pele de tigre, trezentos
    rolos de boa seda. Potes de açafrão, potes de mirra, potes de pimenta, curry e cardamomo, uma
    máscara de ônix, doze macacos de jade, barris de tinta vermelha, preta e verde, uma caixa de
    raras ametistas negras, uma caixa de pérolas, um barril de azeitonas sem caroço recheadas com
    lagartas, uma dúzia de barris de bagres cegos em salmoura, um grande gongo de latão e um
    martelo para bater nele, dezessete olhos de marfim, e uma enorme arca cheia de livros escritos em
    línguas que Dany não sabia ler. E mais, e mais, e mais. Seu povo empilhou tudo diante dos
    negociantes de escravos.
    Enquanto o pagamento era feito, Kraznys mo Nakloz concedeu-lhe algumas palavras finais
    sobre o modo de lidar com as tropas.
    - Eles ainda estão verdes - disse ele através de Missandei. - Diga à prostituta de Westeros que
    faria bem em dar-lhes rapidamente o batismo de sangue. Há muitas cidades pequenas no
    caminho, cidades prontas para serem pilhadas. Qualquer saque que obtenha será apenas seu. Os
    Imaculados não cobiçam o ouro ou as pedras preciosas. E se capturar prisioneiros, alguns guardas
    serão suficientes para trazê-los para Astapor. Compraremos os saudáveis, e por um bom preço. E
    quem sabe? Daqui a dez anos, alguns dos garotos que nos mandar poderão ser por sua vez
    Imaculados. Assim todos prosperaremos.
    Por fim, já não havia mais mercadoria a adicionar à pilha. Seus dothraki voltaram a subir para os
    cavalos, e Dany disse:
    - Isto foi tudo o que pudemos transportar. O resto aguarda nos navios, uma grande quantidade
    de âmbar, vinho e arroz negro. E vocês têm os próprios navios. Então tudo que nos resta é...
    - ... o dragão - terminou o Grazdan com a barba pontiaguda, que falava o Idioma Comum com
    forte sotaque.
    - E aqui está ele. - Sor Jorah e Belwas dirigiram-se ao seu lado para a liteira, onde Drogon e os
    seus irmãos tostavam ao sol. Jhiqui desprendeu uma ponta da corrente e entregou-a a ela, Quando
    lhe deu um puxão, o dragão negro ergueu a cabeça, silvando, e abriu asas de noite e escarlate.
    Kraznys mo Nakloz deu um largo sorriso quando a sombra das asas caiu sobre si.
    Dany entregou ao comerciante de escravos a ponta da corrente de Drogon. Em troca, ele
    presenteou-a com o chicote. O cabo era de osso negro de dragão, elaboradamente esculpido e

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:33 pm

    incrustado de ouro. Nove longas e finas tiras de couro saíam desse cabo, todas rematadas por uma
    garra dourada. O botão de ouro era uma cabeça de mulher, com dentes pontiagudos de marfim.
    - Os dedos da harpia - chamou Kraznys ao açoite.
    Dany revirou o chicote na mão. Uma coisa tão leve, com um peso tão grande.
    - Então está feito? Eles pertencem a mim?
    - Está feito - concordou o homem, dando um forte puxão na corrente para que Drogon
    descesse da liteira.
    Dany montou sua prata. Sentia o coração tamborilando no peito. Sentia um medo desesperado.
    Seria isso o que o meu irmão teria jeito? Perguntou a si mesma se o Príncipe Rhaegar se sentira
    tão ansioso assim quando viu a tropa do Usurpador em formação do outro lado do Tridente, com
    todos os seus estandartes flutuando ao vento.
    Pôs-se em pé nos estrihos e ergueu os dedos da harpia sobre a cabeça, para que todos os
    Imaculados os vissem,
    - ESTÁ FEITO! - gritou, o mais alto que foi capaz. - VOCÊS SÂO MEUS/ - Es- poreou a égua e
    galopou ao longo da primeira fileira, mantendo os dedos erguidos. - PERTENCEM AGORA AO
    DRAGAO! FORAM COMPRADOS E PAGOS! ESTÁ FEITO! ESTÁ FEITO!
    Vislumbrou o velho Grazdan virando rapidamente a cabeça grisalha. Ele me ouviu falar
    valiriano. Os outros negociantes de escravos não estavam atentos. Aglomeravam-se em volta de
    Kraznys e do dragão, gritando conselhos. Embora os astapori puxassem e empurrassem, Drogon
    não saía da liteira. Fumaça cinza subia de suas mandíbulas abertas, e seu longo pescoço
    enrolava-se e endireitava-se enquanto ele tentava morder o rosto do feitor.
    É hora de atravessar o Tridente, pensou Dany, ao virar-se e trazer a prata de volta. Seus
    companheiros de sangue aproximaram-se e cercaram-na.
    - Está em dificuldades - observou Dany.
    - Ele não quer vir - disse Kraznys.
    - Há uma razão, Um dragão não é escravo de ninguém. - E Dany chicoteou com toda a força o
    rosto do negociante de escravos. Kraznys gritou e cambaleou para trás, com sangue escorrendo,
    vermelho, para sua barba perfumada. Os dedos da harpia tinham quase desfeito suas feições de
    um golpe, mas Dany não parou para contemplar o estrago. - Drogon - cantou em voz alta, em tom
    doce, todo o seu medo esquecido. - Dracarys.
    O dragão negro abriu as asas e rugiu.
    Uma lança de turbilhonantes chamas escuras atingiu em cheio o rosto de Kraznys. Seus olhos
    derreteram e escorreram pelas maçãs de seu rosto, e o óleo que tinha nos cabelos e barba
    incendiou-se com tanta violência que, por um instante, o senhor de escravos usou uma coroa
    flamejante duas vezes mais alta do que sua cabeça. O súbito fedor de carne carbonizada
    conseguiu sobrepor-se até mesmo ao seu perfume, e seu grito de dor pareceu afogar todos os
    outros sons.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:33 pm

    Então a Praça da Punição estourou em sangue e caos. Os Bons Mestres guinchavam,
    esbarravam e empurravam-se uns aos outros, tropeçavam, com a pressa, no debrum de seus
    tokars. Drogon voou quase preguiçosamente contra Kraznys, batendo asas negras. Enquanto
    oferecia ao senhor de escravos mais um pouco de fogo, Irri e Jhiqui desacor- rentaram Viserion e
    Rhaegal, e de repente havia três dragões no ar. Quando Dany se virou para olhar, um terço dos
    orgulhosos guerreiros de chifres demoníacos de Astapor lutava para se manter montado em suas
    aterrorizadas montarias, e outro terço fugia num brilhante clarão de cobre brilhante. Um homem
    manteve-se sobre a sela tempo suficiente para puxar uma espada, mas o chicote de Jhogo
    enrolou-se em torno do pescoço dele e cortou seu grito. Outro perdeu uma mão para o arakh de
    Rakharo e afastou- -se, cambaleando e jorrando sangue. Aggo sentou-se calmamente,
    encaixando flechas na corda de seu arco e disparando-as contra tokars. Não importava nem um
    pouco que o debrum fosse de prata, ouro ou simples. Belwas, o Forte, também tinha o seu arakh
    de- sembainhado, e fazia-o rodopiar enquanto atacava.
    Dany ouviu um astapori gritar:
    - Lanças! - era Grazdan, o velho Grazdan com seu tokar carregado de pérolas. - Imaculados!
    Defendam-nos, parem-nos, defendam os seus senhores! Lanças! Espadas!
    Quando Rakharo enfiou uma flecha na boca dele, os escravos que sustentavam a sua liteira
    separaram-se e fugiram, deixando-o cair sem cerimônia no chão. O velho engatinhou até a
    primeira fileira de eunucos, deixando poças de sangue nos tijolos. Os Imaculados sequer olharam
    para baixo, para vê-lo morrer. Fileira atrás de fileira, atrás de fileira, permaneceram em pé.
    E não se moveram. Os deuses ouviram a minha prece.
    - Imaculados! - Dany galopou à frente deles, com a trança de um louro prateado es- voaçando
    atrás, e a sineta tilintando a cada passo. - Matem os Bons Mestres, matem os soldados, matem
    todos os homens que usem um tokar ou tenham um chicote nas mãos, mas não façam mal a
    nenhuma criança com menos de doze anos, e arranquem as correntes de todos os escravos que
    virem. - Ergueu os dedos da harpia... e então atirou o açoite para longe. - Liberdade! - entoou. -
    Dracarys! Dracarys!
    - Dracarys! - gritaram eles em resposta, a mais bela palavra que já ouvira. - Dracarys! Dracarys!
    - E por toda a sua volta, feitores fugiam, soluçavam, suplicavam e morriam, e o ar poeirento
    encheu-se de lanças e fogo.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:34 pm

    Sansa 334

    Na manhã em que seu novo vestido devia ficar pronto, as criadas encheram a banheira de Sansa
    com água quente fumegante e esfregaram-na dos pés à cabeça até a deixarem rosada e reluzente.
    A própria aia da rainha tratou de suas unhas e escovou e ondulou seus cabelos ruivos para que
    caíssem por suas costas em suaves caracóis, Trouxe também uma dúzia das essências que
    Cersei preferia. Sansa escolheu uma fragrância viva e doce, com um toque de limão sob o cheiro
    de flores, A aia despejou um pouco no dedo e tocou Sansa atrás de cada orelha, e sob o queixo, e
    então, levemente, nos mamilos.
    A própria Cersei chegou com a costureira e ficou vendo enquanto vestiam Sansa com sua roupa
    nova. A roupa de baixo era toda de seda, mas o vestido era de samito cor de marfim e pano de
    prata, forrado de cetim prateado. As extremidades de suas longas mangas pontiagudas quase
    tocavam o chão quando baixava os braços, E era um vestido de mulher, não de menina, não havia
    dúvida quanto a isso. O corpete era aberto na frente, quase até a barriga, com o profundo "v"
    coberto por um painel de ornamentada renda de Myr num cinza-claro. As saias eram longas e
    cheias, a cintura era tão apertada que Sansa teve de prender a respiração quando a amarraram.
    Trouxeram- -lhe também sapatos novos, chinelos de suave pele de corça cinza que abraçavam
    seus pés como amantes.
    - Está muito bela, senhora - disse a costureira quando acabaram de vesti-la.
    - Estou, não estou? - Sansa soltou um risinho e girou, fazendo rodopiar as saias ao seu redor. -
    Oh, estou. - Mal podia esperar que Willas a visse assim. Ele vai me amar, vai mesmo, tem de
    amar... esquecerá Winterfell quando me vir, vou me certificar de que esqueça.
    A Rainha Cersei estudou-a criticamente.
    - Algumas pedras preciosas, acho. As pedras de lua que Joffrey lhe deu.
    - Imediatamente, Vossa Graça - respondeu a aia.
    Depois de as pedras de lua estarem penduradas nas orelhas de Sansa e em seu pescoço, a
    rainha fez um aceno com a cabeça,
    - Sim. Os deuses foram bons para você, Sansa. E uma menina adorável. Parece quase
    obsceno esbanjar essa doce inocência naquela gárgula.
    - Que gárgula? - Sansa não estava compreendendo. Estaria se referindo a Willas? Como
    poderia saber? Ninguém sabia além dela, de Margaery e da Rainha dos Espinhos... ah, e Dontos,
    mas esse não contava.
    Cersei Lannister ignorou a pergunta.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:34 pm

    - O manto - ordenou, e as mulheres trouxeram-no: um longo manto de veludo branco carregado
    de pérolas, Um feroz lobo gigante estava bordado nele em fio de prata. San- sa olhou-o com súbito
    temor. - As cores de seu pai - disse Cersei, enquanto o prendiam em volta do pescoço da garota
    com uma delicada corrente de prata.
    Um manto de donzela. A mão de Sansa subiu à garganta. Teria arrancado aquela coisa se se
    atrevesse.
    - E mais bonita com a boca fechada, Sansa - disse-lhe Cersei, - Venha já, o septão está à
    espera. E os convidados do casamento também.
    - Não - exclamou Sansa, - Não.
    - Sim. E protegida da coroa. O rei faz as vezes de seu pai, uma vez que seu irmão é um traidor
    proscrito. Isso significa que tem todo o direito de dispor de sua mão. Vai se casar com meu irmão
    Tyrion.
    A minha pretensão, pensou, agoniada. Dontos, o bobo, não era assim tão tolo, afinal; tinha visto
    a verdade. Sansa afastou-se da rainha.
    - Não vou. - Vou me casar com Willas, vou ser a senhora de Jardim de Cima, por favor...
    - Compreendo a sua relutância. Chore se precisar. Em seu lugar, eu provavelmente arrancaria
    os cabelos. Ele é um desprezível duendezinho, não há dúvida, mas vai mesmo se casar com ele.
    - Não pode me obrigar.
    - Claro que podemos. Pode vir calmamente e proferir seus votos como é próprio de uma
    senhora, ou pode lutar, gritar e dar um espetáculo que deixe os cavalariços aos risi- nhos, mas seja
    como for vai acabar casada e na cama com o seu esposo. - A rainha abriu a porta. Sor Meryn Trant
    e Sor Osmund Kettleblack esperavam lá fora, com a armadura de escamas brancas da Guarda
    Real. - Escoltem a Senhora Sansa até o septo - disse- -lhes. - Carreguem-na, se for preciso, mas
    tentem não rasgar o vestido. Foi muito caro.
    Sansa tentou fugir, mas a aia de Cersei apanhou-a antes de ter percorrido um metro. Sor Meryn
    Trant dirigiu-lhe um olhar que a fez encolher-se de medo, mas Kettleblack tocou quase gentilmente
    nela e disse:
    - Faça o que lhe dizem, querida, não será assim tão mau. Espera-se que os lobos sejam
    bravos, não é?
    Bravos. Sansa respirou fundo. Eu sou uma Stark, sim, posso ser brava. Estavam todos a
    observá-la daquela maneira como a tinham olhado no pátio, no dia em que Sor Boros Blount
    rasgara sua roupa. Nesse dia foi o Duende quem a salvou de um espancamento, o mesmo homem
    que estava agora à sua espera, Ele não é tão mau quanto os outros, disse a si mesma.
    - Eu vou.
    Cersei sorriu.
    - Eu sabia que sim.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:36 pm

    Mais tarde não conseguiria se lembrar de ter saído do quarto, de descer os degraus ou de
    atravessar o pátio. O simples ato de pôr um pé à frente do outro pareceu tomar toda a sua atenção.
    Sor Meryn e Sor Osmund caminhavam ao seu lado, usando mantos tão claros quanto o seu,
    faltando-lhes apenas as pérolas e o lobo gigante que fora de seu pai. O próprio JofFrey
    encontrava-se à sua espera, nos degraus do septo do castelo. O rei resplandecia de carmesim e
    ouro, com a coroa na cabeça.
    - Hoje sou seu pai - anunciou.
    - Não é - irritou-se ela. - Nunca será.
    O rosto do rei ensombrou-se.
    - Sou. Sou seu pai, e posso casá-la com quem eu desejar. Com qualquer um. Casará com um
    criador de porcos, se eu ordenar, e vai se deitar com ele na pocilga. - Seus olhos verdes cintilaram
    de divertimento. - Ou talvez devesse dá-la a Ilyn Payne, gostaria mais dele?
    O coração de Sansa deu um salto.
    - Por favor, Vossa Graça - suplicou. - Se alguma vez me amou nem que fosse um pouquinho,
    não me obrigue a casar com seu...
    - ... tio? - Tyrion Lannister atravessou as portas do septo. - Vossa Graça - disse a JofFrey. -
    Tenha a gentileza de me conceder um momento a sós com a Senhora Sansa, por favor.
    O rei estava prestes a recusar, mas a mãe lançou-lhe um olhar penetrante. Afastaram- -se
    alguns metros.
    Tyrion vestia um gibão de veludo negro coberto de arabescos dourados, botas cujos canos
    chegavam às suas coxas e que acrescentavam sete centímetros à sua altura, uma corrente de
    rubis e cabeças de leão. Mas o rasgão em seu rosto estava vermelho e em carne viva, e o nariz era
    uma hedionda escara.
    - Está muito bela, Sansa - disse-lhe.
    - E bondade sua, senhor. - Não sabia o que mais responder. Deveria dizer-lhe que é bonito? Vai
    me achar uma tola ou uma mentirosa. Baixou os olhos e dominou a língua.
    - Senhora, isso não é maneira de trazê-la para o seu casamento, peço-lhe perdão. E por fazer
    isso de forma tão súbita e secreta. O senhor meu pai achou necessário, por razões de estado. De
    outra forma, teria ido encontrá-la mais cedo, conforme eu desejava. - Bamboleou-se para mais
    perto. - Não pediu este casamento, eu sei. Eu também não. Mas se a tivesse recusado, eles teriam
    casado a senhora com meu primo Lancei. Talvez tivesse preferido assim. Ele tem uma idade
    próxima da sua, e é mais bonito de se ver. Se for esse seu desejo, diga, e eu porei fim a esta farsa.
    Não quero nenhum Lannister, ela quis dizer. Quero Willas, quero Jardim de Cima, os cachorros
    e a barcaça, e filhos chamados Eddard, Bran e Rickon. Mas então lembrou-se do que Dontos havia
    lhe dito no bosque sagrado. Tyrell ou Lannister, não faz diferença, não é a mim que querem, é só a
    minha pretensão.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:36 pm

    - E gentil, senhor - disse, derrotada. - Sou protegida da coroa e meu dever é casar segundo as
    ordens do rei,
    Ele estudou-a com seus olhos desiguais.
    - Eu sei que não sou o tipo de esposo com que as garotas sonham, Sansa - disse, com
    suavidade -, mas também não sou JofFrey.
    - Não - disse ela, - Foi gentil comigo. Eu me lembro.
    Tyrion ofereceu-lhe uma mão grossa de dedos curtos.
    - Então venha. Vamos cumprir o nosso dever.
    E assim ela pousou a mão na dele e ele levou-a até o altar nupcial, onde o septão esperava
    entre a Mãe e o Pai para unir suas vidas, Sansa viu Dontos, com o seu traje de bobo, olhando-a
    com grandes olhos redondos. Sor Balon Swann e Sor Boros Blount encontravam-se lá, ostentando
    o branco da Guarda Real, mas Sor Loras não. Nenhum dos Tyrell está aqui, compreendeu de
    repente. Mas havia fartura de outras testemunhas; o eunuco Varys, Sor Addam Marbrand, Lorde
    Philip Foote, Sor Bronn, Jalabhar
    Xho, uma dúzia de outros. Lorde Gyles tossia, a Senhora Ermesande mamava, e a filha grávida da
    Senhora Tanda soluçava por nenhum motivo aparente. Que soluce, pensou Sansa. Eu talvez faça
    o mesmo antes que este dia acabe.
    A cerimônia passou como que num sonho. Sansa fez tudo o que lhe foi pedido. Houve preces,
    votos e cânticos, e grandes velas queimando, uma centena de luzes dançantes, que as lágrimas
    em seus olhos se transformaram num milhar, Felizmente, ninguém pareceu reparar que ela estava
    chorando enquanto se encontrava ali, em pé, envolvida nas cores do pai; ou se viram, fingiram não
    ver. Naquilo que pareceu não ser tempo algum, chegaram à troca dos mantos.
    Na condição de pai do reino, Joffrey ocupou o lugar de Eddard Stark. Sansa permaneceu dura
    como uma lança enquanto as mãos dele passaram sobre seus ombros para lutar contra o broche
    de seu manto. Uma delas roçou num seio e demorou-se lá, para lhe dar um pequeno apertão.
    Então o broche abriu-se, e JofF tirou seu manto de donzela com um floreado régio e um sorriso.
    A parte do tio não correu tão bem. O manto de noiva que segurava era enorme e pesado, de
    veludo carmesim ricamente trabalhado com leões e debruado de cetim dourado e rubis, Mas
    ninguém havia se lembrado de trazer um banco, e Tyrion era meio metro mais baixo do que sua
    noiva. Quando ele se colocou atrás dela, Sansa sentiu um forte puxão na saia. Ele quer que eu
    ajoelhe, compreendeu, corando. Ficou mortificada. Não deveria ser assim. Sonhara mil vezes com
    seu casamento, e em todas elas imaginara o modo como seu noivo ficaria atrás dela, alto e forte,
    envolveria majestosamente seus ombros com o manto de sua proteção, e a beijaria ternamente no
    rosto ao debruçar-se para a frente, a fim de lhe prender o broche,
    Sentiu outro puxão na saia, mais insistente. Não farei isso. Por que devo poupar os sentimentos
    dele, quando ninguém se preocupa com os meus?

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:36 pm

    O anão puxou-a pela terceira vez. Teimosamente, apertou os lábios e fingiu não reparar.
    Alguém atrás deles soltou um riso abafado. A rainha, pensou, mas não importava. Pouco depois
    estavam todos rindo, ninguém mais alto do que Joffrey.
    - Dontos, de quatro - ordenou o rei. - Meu tio precisa de ajuda para subir até sua noiva.
    E foi assim que o senhor seu esposo a cobriu com um manto nas cores da Casa Lannister
    enquanto se empoleirava nas costas de um bobo.
    Quando Sansa se virou, o homenzinho fitava-a, de boca contraída, com o rosto tão vermelho
    quanto seu manto. De repente, sentiu-se envergonhada por sua teimosia. Ali- sou as saias e
    ajoelhou-se diante de Tyrion, para que as cabeças ficassem no mesmo nível.
    - Com este beijo empenho o meu amor, e o tomo como meu senhor e esposo.
    - Com este beijo empenho o meu amor - respondeu o anão em voz rouca - e a tomo como
    minha senhora e esposa. - Debruçou-se para a frente, e os lábios tocaram- -se brevemente.
    Ele é tão feio, pensou Sansa quando o rosto dele se aproximou do seu, E ainda mais feio do que
    o Cão de Caça.
    O septão ergueu bem alto seu cristal, para que a luz arco-íris caísse sobre os dois.
    - Aqui, à vista dos deuses e dos homens - disse proclamo solenemente que Tyrion da Casa
    Lannister e Sansa da Casa Stark são marido e mulher, uma carne, um coração, uma alma, agora e
    sempre, e maldito seja quem se interpuser entre eles.
    Teve de morder o lábio para náo soluçar.
    O banquete de casamento foi servido no Pequeno Salão. Havia talvez cinqüenta convidados; a
    maioria servidores e aliados dos Lannister, juntando-se àqueles que tinham estado no casamento.
    E ali Sansa encontrou os Tyrell. Margaery olhou-a de um modo cheio de tristeza, e quando a
    Rainha dos Espinhos entrou, vacilante, entre o Esquerdo e o Direito, sequer a olhou. Elinor, Alia e
    Megga pareciam determinadas a não conhecê-la. Minhas amigas, pensou Sansa amargamente.
    Seu esposo bebeu muito e quase não comeu. Escutava sempre que alguém se levantava para
    fazer um brinde, e às vezes fazia um brusco aceno de apreço, mas fora isso daria para dizer que
    seu rosto era feito de pedra. O banquete pareceu prolongar-se sem fim, embora Sansa não tivesse
    provado nada da comida. Queria que aquilo acabasse, e no entanto temia o seu fim. Pois, após o
    banquete, vinha a noite de núpcias. Os homens iriam levá-la para sua cama nupcial, despindo-a no
    caminho e fazendo piadas grosseiras sobre aquilo que a aguardava entre os lençóis, enquanto as
    mulheres prestariam a Tyrion o mesmo serviço. Só depois de serem enfiados nus na cama é que
    os deixariam sós, e mesmo então os convidados permaneceriam à porta do aposento nupcial,
    gritando para dentro sugestões obscenas. A noite de núpcias parecera maravilhosamente
    maliciosa e excitante quando Sansa era garota, mas, agora que o momento estava quase
    chegando, sentia apenas terror. Não achava que seria capaz de suportar que arrancassem sua
    roupa, e estava certa de que rebentaria em lágrimas à primeira brincadeira lúbrica.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:37 pm

    Quando os músicos começaram a tocar, Sansa apoiou timidamente a mão sobre a de Tyrion e
    disse:
    - Senhor, lideramos o baile?
    A boca dele torceu-se.
    - Acho que já lhes demos divertimento suficiente para uma noite, não acha?
    - Como quiser, senhor. - Retirou a mão.
    Em vez deles, JofFrey e Margaery lideraram. Como é possível que um monstro dance de forma
    tão bela?, perguntou Sansa a si mesma. Tinha sonhado acordada muitas vezes sobre o modo
    como dançaria em seu casamento, com todos os olhos postos em si e em seu belo senhor. Nos
    sonhos, estavam todos sorrindo. Nem sequer o meu esposo sorri
    Outros convidados rapidamente se juntaram ao rei e à sua prometida. Elinor dançou com seu
    jovem escudeiro, e Megga, com o Príncipe Tommen, A Senhora Merryweather, a bela myrana de
    cabelos negros e grandes olhos escuros, girava tão provocantemente que em pouco tempo todos
    os homens presentes no salão a observavam. O Senhor e a Senhora Tyrell moviam-se mais
    calmamente, Sor Kevan Lannister pediu a honra à Senhora Janna Fossoway, irmã de Lorde Tyrell,
    Merry Crane juntou-se aos dançarinos com o príncipe exilado Jalabhar Xho, magnífico em seus
    adornos de penas. Cersei Lannister fez par primeiro com Lorde Redwyne, depois com Lorde
    Rowan, e por fim com o próprio pai, que dançava com uma graça fluida e séria,
    Sansa ficou sentada com as mãos no colo, observando o modo como a rainha se movia, ria e
    sacudia os louros caracóis, Ela encanta a todos, pensou, entorpecida. Cowo eu a odeio. Afastou o
    olhar, dirigindo-o para onde o Rapaz Lua dançava com Dontos.
    - Senhora Sansa. - Sor Garlan Tyrell estava em pé junto ao estrado. - Dá-me a honra? Se o seu
    senhor consentir?
    Os olhos desiguais do Duende estreitaram-se.
    - A minha senhora pode dançar com quem quiser.
    Talvez devesse ter permanecido ao lado do marido, mas queria tanto dançar,., e Sor Garlan era
    irmão de Margaery, de Willas, de seu Cavaleiro das Flores,
    - Vejo por que lhe chamam Garlan, o Galante, sor - disse, ao pegar na mão dele.
    - E muito amável por dizer isso, minha senhora. Foi meu irmão Willas quem me deu esse nome,
    por acaso. Para me proteger.
    - Para protegê-lo? - Sansa dirigiu-lhe um olhar confuso.
    Sor Garlan soltou uma gargalhada.
    - Eu era um menininho rechonchudo, temo eu, e nós temos um tio chamado Garth, o Grosseiro.
    Por isso Willas atacou primeiro, não sem antes me ameaçar com Garlan, o Galo, Garlan, o Gatuno
    e Garlan, a Gárgula.
    Aquilo era tão encantador e inocente que Sansa foi obrigada a rir, apesar de tudo. Depois,
    sentiu-se absurdamente grata. Sem saber como, o riso tinha lhe dado de novo esperança, ainda

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:37 pm

    que por pouco tempo. Sorrindo, deixou que a música a dominasse, perdendo-se nos passos, no
    som de flauta, gaita de foles e harpa, no ritmo do tambor... e de tempos em tempos nos braços de
    Sor Garlan, quando a dança os juntava.
    - A senhora minha esposa está muito preocupada com a senhora - disse ele em voz baixa numa
    dessas vezes.
    - A Senhora Leonette é bondosa demais. Diga-lhe que estou bem.
    - Uma noiva no seu casamento devia estar mais do que bem. - A voz dele não era desprovida
    de gentileza. - Parecia à beira das lágrimas.
    - Lágrimas de alegria, sor.
    - Seus olhos revelam a mentira de sua língua. - Sor Garlan virou-a, puxou-a para o seu lado. -
    Senhora, vi como olha para meu irmão. Loras é valente e bonito, e todos o amamos muito... mas o
    seu Duende será melhor marido. Ele é um homem maior do que parece, penso eu.
    A música afastou-os antes de Sansa conseguir pensar numa resposta. Foi Mace Tyrell quem
    surgiu à sua frente, com o rosto vermelho e suado, e depois Lorde Merryweather, e depois o
    Príncipe Tommen.
    - Também quero me casar - disse o rechonchudo principezinho, que tinha nove anos. - Sou
    mais alto do que o meu tio!
    - Eu sei que é - disse Sansa, antes de os pares voltarem a trocar. Sor Kevan disse-lhe que
    estava bela, Jalabhar Xho disse qualquer coisa na Língua do Verão que ela não compreendeu, e
    Lorde Redwyne desejou-lhe muitas crianças gordas e longos anos de alegria. E então a dança
    deixou-a cara a cara com Joffrey.
    Sansa retesou-se quando a mão dele tocou na dela, mas o rei apertou sua mão e puxou-a para
    si.
    - Não devia estar com um ar tão triste. Meu tio é uma coisinha feia, mas você ainda terá a mim.
    - O senhor irá se casar com Margaery!
    - Um rei pode ter outras mulheres. Prostitutas. Meu pai teve. Um dos Aegon também. O terceiro
    ou o quarto. Teve um monte de prostitutas e um monte de bastardos. - Enquanto rodopiavam ao
    som da música, JofF deu-lhe um beijo úmido. - Meu tio vai trazê-la à minha cama sempre que eu
    ordenar,
    Sansa balançou a cabeça.
    - Não vai.
    - Vai, senão corto a cabeça dele, Esse Rei Aegon, ele tinha todas as mulheres que desejava,
    quer fossem ou não casadas.
    Felizmente, era hora de mudar mais uma vez. Mas suas pernas tinham se transformado em
    madeira, e Lorde Rowan, Sor Tallad e o escudeiro de Elinor devem tê-la achado uma dançarina
    muito desajeitada. E então viu-se de novo com Sor Garlan, e pouco depois, abençoadamente, a
    dança terminou.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:38 pm

    O alívio foi curto. Assim que a música acabou, ouviu JofFrey dizer:
    - Está na hora de levá-los para a cama! Vamos tirar a roupa dela e dar uma passada de olhos
    no que a loba tem a dar ao meu tio! - Outros homens juntaram-se ruidosamente ao grito,
    O anão seu marido ergueu lentamente os olhos da taça de vinho.
    - Não haverá nada de noite de núpcias.
    JofFrey agarrou o braço de Sansa.
    - Haverá, se eu ordenar.
    O Duende espetou violentamente o punhal na mesa, onde ficou vibrando, e disse:
    - E depois vai ter de servir a sua mulher com um cacete de madeira. Eu castro você, juro.
    Caiu um pesado silêncio. Sansa tentou libertar-se de JofFrey, mas ele tinha-a bem agarrada e
    sua manga rasgou. Ninguém pareceu sequer ouvir. A Rainha Cersei virou-se para o pai.
    - Ouviu o que ele disse?
    Lorde Tywin levantou-se da cadeira.
    - Acho que podemos dispensar a noite de núpcias. Tyrion, tenho certeza de que não pretendia
    ameaçar a pessoa do rei.
    Sansa viu um espasmo de raiva percorrer o rosto do marido.
    - Expressei-me mal - disse. - Foi uma brincadeira de mau gosto, senhor.
    - Ameaçou me castrar! - disse JofFrey com uma voz esganiçada.
    - Ameacei, Vossa Graça - disse Tyrion -, mas foi só por invejar o seu régio membro. O meu é tão
    pequeno e torto... - Seu rosto contorceu-se num olhar malicioso. - E se cortar minha língua, não me
    deixará nenhuma maneira de dar prazer a esta encantadora esposa que me deu.
    Uma gargalhada explodiu dos lábios de Sor Osmund Kettleblack. Alguém soltou um risinho
    abafado. Mas JofF não riu, e Lorde Tywin também não.
    - Vossa Graça - disse este -, meu filho está bêbado, pode constatar o fato,
    - Estou - confessou o Duende -, mas não tão bêbado que não possa tratar da minha noite de
    núpcias. - Saltou do estrado e agarrou Sansa rudemente. - Venha, mulher, é hora de derrubar a
    sua porta levadiça. Quero brincar de entrar no castelo,
    Corada, Sansa saiu com ele do Pequeno Salão. Que escolha tenho? Tyrion bamboleava- -se ao
    caminhar, especialmente quando caminhava tão depressa quanto agora. Os deuses eram
    misericordiosos, e nem JofFrey nem nenhum dos outros fez um movimento para segui-los.
    Para a noite de núpcias, tinham-lhes concedido o uso de um quarto arejado no alto da Torre da
    Mão. Tyrion fechou a porta com um pontapé depois de entrarem.
    - Há um jarro de bom dourado da Árvore no aparador, Sansa. Quer fazer a gentileza de
    me servir uma taça?
    - Será isso sensato, senhor?
    - Não há nada mais sensato. Não estou realmente bêbado, compreende? Mas pretendo ficar.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:38 pm

    Sansa encheu uma taça para cada um. Será mais fácil se eu também estiver bêbada. Sentou-se
    na beira da grande cama de dossel e ingeriu metade do conteúdo de sua taça em três longos goles.
    Sem dúvida que o vinho era muito bom, mas estava nervosa demais para saboreá-lo. A bebida
    deixou sua cabeça flutuando.
    - Quer que eu tire minhas roupas, senhor?
    - Tyrion. - Ele ergueu a cabeça. - Meu nome é Tyrion, Sansa.
    - Tyrion. Senhor. Devo tirar o vestido, ou quer me despir? - bebeu mais um gole de vinho.
    O Duende virou as costas para ela.
    - Da primeira vez que me casei, fomos só nós e um septão bêbado, e alguns porcos como
    testemunhas. Comemos uma das testemunhas no banquete de casamento. Tysha deu na minha
    boca pele torrada de porco assado e eu lambi a gordura dos dedos dela, e estávamos rindo quando
    caímos na cama,
    - Foi casado antes? Eu.„ eu tinha me esquecido,
    - Não esqueceu. Nunca soube.
    - Quem era ela, senhor? - a contragosto, Sansa sentia curiosidade.
    - A Senhora Tysha, - A boca dele torceu-se. - Da Casa Punho de Prata. As armas deles são uma
    moeda de ouro e cem de prata, num lençol ensangüentado. Nosso casamento foi muito curto...
    como é próprio de um homem muito baixo, suponho.
    Sansa fitou as mãos e nada disse.
    - Quantos anos você tem, Sansa? - perguntou Tyrion após um momento.
    - Treze - disse ela quando a lua virar.
    - Deuses, piedade. - O anão bebeu outro gole de vinho. - Bem, conversar não fará você ficar
    mais velha. Vamos tratar disso, senhora? Se for do seu agrado?
    - Será do meu agrado agradar ao senhor meu esposo.
    Aquilo pareceu enfurecê-lo.
    - Esconde-se atrás da cortesia como se fosse uma muralha de castelo.
    - A cortesia é a armadura de uma senhora - disse Sansa, Sua septã sempre lhe dizia isso.
    - Eu sou o seu marido. Agora pode tirar a armadura.
    - E a roupa?
    - Isso também. - Fez um gesto na direção dela com a taça de vinho. - O senhor meu pai
    ordenou-me que consumasse este casamento.
    As mãos de Sansa tremiam quando começou a remexer as roupas. Tinha dez pole- gares no
    lugar dos dedos, e todos estavam quebrados. Mas de algum modo conseguiu se desembaraçar
    dos nós e botões, e o seu manto, o vestido, o espartilho e a seda íntima deslizaram para o chão, até
    que por fim saiu de dentro da roupa de baixo. A pele de seus braços e pernas ficou arrepiada.
    Manteve os olhos no chão, tímida demais para olhá-lo, mas quando terminou, lançou-lhe um

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:38 pm

    relance de olhos e viu-o a fitá-la. Havia fome no olho verde, pareceu a ela, e fúria no negro. Sansa
    não sabia qual dos dois a assustava mais.
    - É uma criança - disse ele.
    Ela cobriu os seios com as mãos.
    - Já floresci.
    - Uma criança - repetiu ele mas desejo você. Isso a assusta, Sansa?
    - Sim.
    - A mim também. Eu sei que sou feio...
    - Não, sen...
    Ele ergueu-se.
    - Não minta, Sansa. Sou deformado, mutilado e pequeno, mas... - Sansa viu que ele procurava
    as palavras - ... na cama, depois das velas sopradas, não sou pior constituído do que os outros
    homens. No escuro, sou o Cavaleiro das Flores. - Bebeu um trago de vinho. - Sou generoso. Leal
    para com aqueles que me são leais. Provei que não sou covarde. E sou mais inteligente do que a
    maioria, decerto a esperteza deve contar para alguma coisa. Até posso ser bondoso. Temo que a
    bondade não seja um hábito entre nós, os Lannister, mas sei que tenho alguma, em algum lugar.
    Poderia ser... poderia ser bom para você.
    Ele está tão assustado quanto eu, percebeu Sansa. Isso talvez devesse tê-la deixado mais
    compreensiva para com ele, mas não a deixou. Tudo que sentiu foi pena, e a pena é a morte do
    desejo. O anão olhava-a, à espera de que dissesse alguma coisa, mas todas as suas palavras
    tinham murchado. Só conseguiu ficar ali, em pé, tremendo.
    Quando finalmente compreendeu que ela não tinha uma resposta para lhe dar, Tyrion Lannister
    entornou o resto do vinho.
    - Compreendo - disse amargamente. - Vá para a cama, Sansa. Temos de cumprir o nosso
    dever.
    Ela subiu para o colchão de plumas, consciente de que ele a encarava. Uma vela perfumada de
    cera de abelha ardia na mesa de cabeceira e pétalas de rosas tinham sido espalhadas entre os
    lençóis. Tinha começado a puxar uma manta para se cobrir quando o ouviu dizer:
    - Não.
    O frio fazia-a tremer, mas obedeceu. Seus olhos fecharam-se, e esperou. Um momento depois,
    ouviu o som do marido descalçando as botas, e o roçagar de roupa enquanto se despia. Quando
    saltou para a cama e pôs uma mão no seu seio, Sansa não conseguiu evitar um estremecimento.
    Ficou de olhos fechados, com cada músculo tenso, aterrorizada com o que poderia vir em seguida.
    Ele voltaria a tocá-la? Iria beijá-la? Deveria abrir já as pernas para ele? Não sabia o que era
    esperado de si.
    - Sansa. - A mão tinha desaparecido. - Abra os olhos.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:38 pm

    Prometera obedecer; abriu os olhos, Ele estava sentado junto aos seus pés, nu, Onde as pernas
    se juntavam, seu bastão de homem erguia-se, teso e rijo, de uma mata de ásperos pelos amarelos,
    mas essa era a única coisa nele que era direita.
    - Minha senhora - disse Tyrion - E adorável, não duvide, mas... não posso fazer isso. Que se
    dane o meu pai. Esperaremos. A volta da lua, um ano, uma estação, o tempo que for preciso. Até
    que me conheça melhor, e talvez confie um pouco em mim. - O sorriso podia pretender ser
    tranquilizador, mas sem nariz só o fazia parecer mais grotesco e sinistro.
    Olhe para ele, disse Sansa a si mesma, olhe para o seu marido, para todo ele, a Septã Mordane
    dizia que todos os homens são belos, encontre a beleza dele, tente. Fitou as pernas tortas, a testa
    inchada e animalesca, o olho verde e o negro, os restos em carne viva de seu nariz e a cicatriz
    irregular e rosada, o rude emaranhado de pelos amarelos e pretos que nele passava por barba. Até
    o seu membro viril era feio, grosso e cheio de veias, com uma cabeça bulbosa e roxa. Isso não está
    certo, isso não é justo, como terei pecado tanto para levar os deuses afazerem isso comigo, como?
    - Por minha honra como Lannister - disse o Duende -, juro não tocá-la até que queira que eu o
    faça.
    Precisou de toda a coragem que possuía para olhar aqueles olhos desiguais e dizer:
    - E se eu nunca quiser que faça isso, senhor?
    A boca dele contraiu-se como se o tivesse esbofeteado.
    - Nunca? - Sansa tinha o pescoço tão tenso que quase não conseguiu assentir. - Ora - disse ele
    é por isso que os deuses fazem as prostitutas, para duendes como eu. - Fechou seus dedos curtos
    e grossos num punho e saltou da cama.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:39 pm

    Arya 345


    OSepto de Pedra era a maior localidade que Arya tinha visto desde Porto Real, e Harwin disse-lhe
    que o pai dela ganhara ali uma batalha famosa,
    - Os homens do Rei Louco andavam no encalço de Robert, tentando apanhá-lo antes de
    conseguir se reunir com seu pai - disse-lhe enquanto se aproximavam do portão. - Robert estava
    ferido, cercado de alguns amigos que tratavam dele, quando Lorde Connington, a Mão, tomou a
    cidade com uma força poderosa e ordenou buscas casa a casa. Mas antes de conseguirem
    encontrá-lo, Lorde Eddard e seu avô caíram sobre a cidade e assaltaram as muralhas. Lorde
    Connington retrucou ferozmente. Lutou-se pelas ruas e pelos becos, e até nos telhados, e todos os
    septões bateram os sinos para que o povo soubesse que devia trancar as portas. Robert saiu do
    esconderijo para se juntar à luta quando os sinos começaram a soar. Dizem que matou seis
    homens nesse dia, Um deles foi Myles Mooton, um cavaleiro famoso que tinha sido escudeiro do
    Príncipe Rhaegar. Teria matado também a Mão, mas a batalha nunca os aproximou. Em
    contrapartida, Connington feriu gravemente seu avô Tully, e matou Sor Denys Arryn, o predileto do
    Vale. Mas quando viu que o dia estava perdido, fugiu com toda a velocidade dos grifos de seu
    escudo. Depois, chamaram esse confronto de a Batalha dos Sinos. Robert sempre disse que foi
    seu pai quem a ganhou, e não ele.
    Pelo aspecto do lugar, Arya achou que batalhas mais recentes também tinham sido travadas ali.
    Os portões da cidade eram feitos de madeira nova e verde; do lado de fora das muralhas ainda se
    erguia uma pilha de tábuas carbonizadas indicando o que acontecera com os antigos.
    Septo de Pedra estava bem fechado, mas quando o capitão do portão viu quem eles eram, abriu
    uma porta de surtida para eles.
    - Como andam de comida? - perguntou Tom quando entraram.
    - Não tão mal quanto estávamos. O Caçador trouxe um rebanho de ovelhas, e tem havido
    algum comércio ao longo da Água Negra. A colheita não foi queimada a sul do rio. Claro, há um
    monte de gente que quer nos tirar o que temos. Num dia lobos, no outro Saltimbancos. Aqueles
    que não andam à procura de comida, andam à procura de saque ou de mulheres pra estuprar, e
    aqueles que não andam por aí por causa de ouro ou de moças andam à procura do maldito
    Regicida. Dizem que escapuliu bem pelo meio dos dedos de Lorde Edmure.
    - Lorde Edrnure? - Limo franziu a testa. - Então Lorde Hoster está morto?
    - Morto ou morrendo. Acha que o Lannister pode vir pra Água Negra? O Caçador jura que é o
    caminho mais rápido pra Porto Real. - O capitão não esperou resposta. - Ele levou os cães pra

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:39 pm

    cheirar por aí. Se Sor Jaime anda por estas bandas, vai encontrá-lo. Já vi aqueles cães darem
    cabo de ursos. Acha que vão gostar do sabor de sangue de leão?
    - Um cadáver mastigado não serve a ninguém - disse Limo. - O Caçador também sabe muito
    bem disso.
    - Quando os ocidentais chegaram, estupraram a mulher e a irmã do Caçador, passaram fogo
    em suas colheitas, comeram metade das ovelhas dele e mataram a outra metade por vontade de
    fazer mal. Também mataram seis cães e atiraram suas carcaças no poço. Eu diria que um cadáver
    mastigado lhe serve perfeitamente. E a mim também.
    - E melhor que ele não faça isso - disse Limo. - E tudo que eu tenho a dizer. E melhor que não
    faça isso, e você é um maldito de um idiota.
    Arya seguiu entre Harwin e Anguy enquanto os fora da lei avançavam pelas ruas em que o pai
    lutara antigamente. Via o septo em sua colina e, por baixo, uma robusta fortaleza pouco elevada de
    pedra cinzenta, que parecia muito menor do que devia ser para uma cidade tão grande. Mas um
    terço das casas por onde passavam era uma casca enegrecida, e não viu ninguém,
    - Os habitantes da cidade estão todos mortos?
    - Só desconfiados. - Anguy apontou para dois arqueiros num telhado, e para um grupo de
    rapazes com o rosto coberto de fuligem acocorados nas ruínas de uma cervejaria, Mais adiante,
    um padeiro escancarou uma janela e gritou para Limo, O som da voz dele levou mais gente a sair
    dos esconderijos, e Septo de Pedra pareceu voltar lentamente à vida em volta deles.
    Na praça do mercado, no coração da cidade, havia uma fonte com a forma de uma truta
    saltando, de onde corria água para uma lagoa rasa. Mulheres enchiam ali baldes e jarros. A um par
    de metros de distância, uma dúzia de gaiolas de ferro pendurava-se, rangendo, de postes de
    madeira. Gaiolas para corvos, compreendeu Arya. Os corvos estavam quase todos fora das
    gaiolas, chapinhando na água ou empoleirados nas barras; dentro delas havia homens. Limo
    puxou as rédeas do cavalo, franzindo a testa.
    - O que é isso agora?
    -Justiça - respondeu uma mulher junto à fonte.
    - Que foi, estão com falta de corda de cânhamo?
    - Isso foi feito por determinação de Sor Wilbert? - perguntou Tom.
    Um homem soltou uma gargalhada amarga.
    - Os leões mataram Sor Wilbert há um ano. Os filhos dele andam todos com o Jovem Lobo,
    engordando no oeste. Acha que eles dão a mínima pra gente como nós? Foi o Caçador Louco que
    apanhou esses lobos.
    Lobos. Arya gelou. Homens de Robb e do meu pai. Sentiu-se atraída para as gaiolas. As barras
    deixavam tão pouco espaço que os prisioneiros não podiam se sentar nem se virar; estavam em
    pé, nus, expostos ao sol, ao vento e à chuva. As primeiras três gaiolas continham mortos. Corvos
    tinham comido seus olhos, mas as órbitas vazias pareciam segui-la. O quarto homem da fileira

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:39 pm

    agitou-se quando ela passou. Em volta da boca, a sua barba andrajosa estava repleta de sangue e
    de moscas. Como que explodiram quando ele falou, zumbindo em volta de sua cabeça.
    - Água - A palavra era um crocitar. - Por favor... água...
    O homem na gaiola seguinte abriu os olhos ao ouvir o som.
    - Aqui - disse. - Aqui, eu. - Era um velho; a barba era grisalha e o couro cabeludo, calvo e
    pintalgado de marrom pela idade.
    Depois do velho havia outro morto, um grande homem de barba ruiva, com uma atadura
    cinzenta em putrefação cobrindo a orelha esquerda e parte da cabeça. Mas o pior estava entre as
    pernas, onde nada restava além de um buraco marrom coberto por uma crosta e repleto de larvas.
    Mais à frente encontrava-se um gordo. A gaiola para corvos era tão cruelmente estreita que era
    difícil entender como conseguiram enfiá-lo lá dentro. O ferro enterrava-se dolorosamente em sua
    barriga, fazendo sair protuberâncias por entre as barras. Longos dias torrando ao sol tinham-no
    deixado dolorosamente vermelho da cabeça aos pés. Quando mudou o ponto de apoio de seu
    peso, a gaiola rangeu e balançou, e Arya viu listras brancas nos locais em que as barras tinham
    bloqueado sua pele do sol.
    - São homens de quem? - perguntou-lhes.
    Ao ouvir o som de sua voz, o gordo abriu os olhos. A pele em volta deles estava tão vermelha
    que pareciam ovos cozidos flutuando num prato de sangue.
    - Água... uma bebida...
    - De quem? - repetiu.
    - Não ligue para eles, moço - disse-lhe o habitante da cidade, - Não dizem respeito a você.
    Avance.
    - O que foi que eles fizeram? - perguntou-lhe Arya.
    - Passaram oito pessoas na espada na Cascata do Acrobata - disse ele. - Queriam encontrar o
    Regicida, mas ele não estava lá, então trataram de arranjar uns estupros e assassinatos. - Agitou
    um polegar na direção do cadáver com larvas onde devia estar o membro viril. - Foi aquele que
    estuprou. Agora avance.
    - Uma gota - gritou o gordo para baixo. - Misericórdia, rapaz, uma gota, - O velho ergueu um
    braço para se agarrar às barras. O movimento fez sua gaiola balançar violentamente.
    - Água - arquejou aquele que tinha moscas na barba,
    Ela olhou para o cabelo imundo, barbas macilentas e olhos vermelhos, para os lábios secos,
    rachados e sangrentos. Lobos, voltou a pensar. Como eu. Seria aquela a sua matilha? Como
    podem ser homens de Robb? Quis bater neles. Quis machucá-los. Quis chorar. Todos pareciam
    olhá-la, tanto os vivos como os mortos, O velho havia estendido três dedos entre as barras.
    - Água - disse -, água,
    Arya saltou do cavalo. Não podem me fazer mal, estão morrendo. Tirou sua taça de dentro do
    rolo de dormir e dirigiu-se à fonte.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:40 pm

    - O que você acha que tá fazendo, moço? - disse o habitante da cidade num tom incisivo. - Eles
    não dizem respeito a você. - Arya levou a taça à boca do peixe. A água derramou-se sobre seus
    dedos e desceu por sua manga, mas Arya não se mexeu até a taça começar a transbordar.
    Quando virou-se de volta para as gaiolas, o habitante da cidade pôs-se na sua frente. - Afaste-se
    deles, moço...
    - Ela é uma moça - disse Harwin. - Deixe-a.
    - E - disse Limo. - Lorde Beric não gosta de engaiolar homens pra que morram de sede. Por que
    é que não os enforcam decentemente?
    - Não houve nada decente nas coisas que eles fizeram na Cascata do Acrobata - rosnou-lhe o
    cidadão.
    As barras eram próximas demais para introduzir nelas uma taça, mas Harwin e Gen- dry
    ajudaram-na a subir na gaiola. Apoiou um pé nas mãos de Harwin, girou para cima dos ombros de
    Gendry e agarrou-se às barras do topo da gaiola. O gordo virou o rosto para cima e encostou a
    bochecha no ferro, e Arya despejou a água por cima dele. O homem sugou-a avidamente e deixou
    que escorresse pela cabeça, rosto e mãos, e depois lambeu a umidade que ficou nas barras. Teria
    lambido os dedos de Arya se ela não os tivesse afastado. Quando serviu os outros dois da mesma
    forma, uma multidão tinha se reunido para observá-la.
    - O Caçador Louco vai ouvir falar disso - ameaçou um homem. - E não vai gostar. Não vai
    gostar, não.
    - Então vai gostar ainda menos disto. - Anguy colocou uma corda no arco, tirou uma flecha da
    aljava, encaixou-a, puxou a corda e soltou. O gordo estremeceu quando a flecha se enterrou entre
    seus queixos, mas a gaiola não o deixou cair. Outras duas flechas acabaram com os outros dois
    nortenhos. O único som na praça do mercado era o esparramar da água que caía e o zumbir das
    moscas.
    Vaiar morghulis, pensou Arya.
    No lado oriental da praça do mercado erguia-se uma modesta estalagem com paredes caiadas e
    janelas quebradas. Metade de seu telhado queimara recentemente, mas o buraco havia sido
    remendado. Por cima da porta pendia uma telha de madeira onde se encontrava pintado um
    pêssego com uma grande mordida. Desmontaram junto ao estábulo, que se dispunha
    diagonalmente, e Barba-Verde berrou por cavalariços.
    A rechonchuda estalajadeira ruiva uivou de prazer ao vê-los e prontamente passou a zombar
    deles,
    - Barba-Verde, é? Ou Barba-Grisalha? Pela misericórdia da Mãe, quando foi que envelheceu
    tanto? Limo, é você? Ainda usa o mesmo manto maltrapilho, hã? Eu sei por que é que nunca o
    lava, ah, se sei. Tem medo de que o mijo saia todo e a gente veja que na verdade é um cavaleiro da
    Guarda Real! O Tom das Sete, seu bode velho atrevido. Vem visitar aquele seu filho? Bem, veio
    tarde, ele saiu pra caçar com aquele maldito Caçador. E não me diga que não é seu!

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:40 pm

    - Ele não tem a minha voz - protestou fracamente Tom.
    - Mas tem o seu nariz. Sim, e as outras partes tamem, pelo que dizem as garotas. - Então viu
    Gendry, e deu-lhe um beliscão no rosto. - Olhe para este belo e jovem boi. Espere só a Alyce ver
    estes braços. Oh, e ainda por cima cora como uma donzela. Bem, a Alyce resolve esse seu
    problema, rapaz, você vai ver.
    Arya nunca tinha visto Gendry ficar tão vermelho.
    - Tanásia, deixe o Touro em paz, ele é um bom rapaz - disse Tom Sete-Cordas. - Tudo que
    precisamos de você é de camas seguras para passar a noite.
    - Fale por si, cantor, - Anguy passou o braço em volta de uma jovem e robusta criada, tão
    sardenta quanto ele.
    - Camas, temos - disse a ruiva Tanásia. - Nunca faltaram camas no Pêssego. Mas vão todos à
    banheira primeiro. Da última vez que seu grupo ficou debaixo do meu teto, deixou as pulgas aqui. -
    Espetou, o dedo no peito do Barba-Verde, - E as suas tamem eram verdes. Querem comer?
    - Se tem comida sobrando, náo diremos não — concedeu Tom.
    - Ora, e quando foi que você disse "não" a alguma coisa, Tom? - gritou a mulher. - Vou assar um
    pouco de carneiro para os seus amigos, e uma velha ratazana seca para você. E mais do que
    merece, mas se me gargarejar uma ou duas canções, pode ser que eu amole- ça. Sempre tive
    piedade dos aflitos. Venham, venham. Cass, Lanna, ponham as panelas no fogo. Jyzene,
    ajude-me a tirar a roupa deles, que tamem vamos precisar fervê-la.
    E cumpriu todas as ameaças. Arya tentou dizer-lhes que tinham dado banho nela duas vezes no
    Solar de Bolotas ainda não havia uma quinzena, mas a ruiva não queria ouvir falar do assunto.
    Duas criadas levaram-na no colo escada acima, discutindo sobre se seria um menino ou uma
    menina. A que se chamava Helly ganhou, por isso a outra teve de ir buscar a água quente e
    esfregar as costas de Arya com uma escova eriçada e rígida que quase arrancou sua pele. Então
    roubaram toda a roupa que a Senhora Smallwood tinha lhe dado e vestiram-na de linho e rendas,
    como uma das bonecas de Sansa. Mas, pelo menos, quando acabaram, pôde descer e comer.
    Ao se sentar na sala comum, em suas estúpidas roupas de menina, Arya lembrou-se do que
    Syrio Forel havia lhe ensinado, o truque de olhar e ver o que estava lá. Quando olhou, viu mais
    criadas do que qualquer estalagem poderia querer, em sua maioria jovens e atraentes. E, ao cair a
    noite, montes de homens começaram a entrar e sair do Pêssego. Não ficavam muito tempo na sala
    comum, nem mesmo quando Tom pegou sua harpa e começou a cantar "Seis donzelas numa
    lagoa". Os degraus de madeira eram velhos e íngremes e rangiam furiosamente sempre que um
    dos homens levava uma garota para cima.
    - Aposto que isto é um bordel - murmurou a Gendry.
    - Você nem sequer sabe o que é um bordel.
    - Sei, sim - insistiu ela. - E como uma estalagem, com garotas.
    Ele estava outra vez corando.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:40 pm

    - Então o que você está fazendo aqui? - quis saber. - Um bordel não é lugar para uma maldita
    de uma senhora bem-nascida, todo mundo sabe.
    Uma das garotas sentou-se no banco ao lado dele.
    - Quem é senhora bem-nascida? A magricela? - Olhou para Arya e riu. - Eu sou filha de um rei.
    Arya sabia que estavam caçoando dela.
    - Não é nada.
    - Bem, poderia ser. - Quando a garota encolheu os ombros, seu vestido escorregou de um lado.
    - Dizem que o Rei Robert fodeu a minha mãe quando se escondeu aqui, antes da batalha, Não que
    não tenha possuído também todas as outras garotas, mas Leslyn diz que ele gostava mais da
    minha mãe.
    A garota realmente tinha cabelos parecidos com os do antigo rei, pensou Arya; uma grande e
    espessa cabeleira, preta como carvão. Mas isso não quer dizer nada. Gendry também tem o
    mesmo tipo de cabelo. Um monte de gente tem cabelos pretos.
    - Sou chamada de Sineta - disse a garota a Gendry. - Por causa da batalha. Aposto que também
    conseguiria tocar o seu sino. Quer?
    - Não - disse ele bruscamente.
    - Aposto que quer, - Correu uma mão ao longo do braço dele. - Sou cortesia para amigos de
    Thoros e do senhor do relâmpago.
    - Eu disse que não. - Gendry ficou abruptamente em pé e afastou-se da mesa, saindo para a
    noite,
    Sineta virou-se para Arya.
    - Ele não gosta de garotas?
    Arya encolheu os ombros.
    - E só estúpido. Gosta de polir capacetes e bater espadas com martelos.
    - Ah. - Sineta ajeitou de novo o vestido no ombro e foi falar com Jack Sortudo. Não muito tempo
    depois, estava sentada no colo dele, rindo e bebendo vinho de sua taça. Barba-Verde tinha duas
    garotas, uma em cada joelho. Anguy tinha desaparecido com a sua sardenta, e Limo também tinha
    sumido. Tom Sete-Cordas estava sentado junto à lareira, cantando "As donzelas que desabrocham
    na primavera". Arya bebericou da taça de vinho aguado que a ruiva lhe autorizara, escutando. Do
    outro lado da praça, os mortos apodreciam em suas gaiolas de corvos, mas dentro do Pêssego
    todo mundo estava alegre. Só que de algum modo lhe parecia que alguns deles estavam rindo alto
    demais.
    Teria sido uma boa hora para escapar e roubar um cavalo, mas Arya não via como isso a
    ajudaria. Só poderia chegar até os portões da cidade. Aquele capitão nunca me deixaria passar, e
    se deixasse, Harwin viria atrás de mim, e aquele Caçador com os seus cães também. Desejou ter o
    mapa, para poder ver a que distância de Correrrio ficava Septo de Pedra.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:41 pm

    Quando sua taça se esvaziou, Arya já bocejava. Gendry não tinha voltado. Tom Sete- -Cordas
    estava cantando "Dois corações que batem como um só", e beijando uma garota diferente no fim
    de cada verso. No canto, junto à janela, Limo e Harwin conversavam em voz baixa com a ruiva
    Tanásia.
    - ... passou a noite na cela de Jaime - ouviu a mulher dizer. - Ela e outra moça, aquela que
    matou Renly, Os três juntos, e ao chegar a manhã a Senhora Catelyn libertou-o por amor. - Soltou
    uma gargalhadinha gutural.
    Não é verdade, pensou Arya. Ela nunca faria isso. Sentiu-se triste, zangada e solitária, tudo ao
    mesmo tempo.
    Um velho sentou-se ao seu lado.
    - Ora, aqui está um pessegozinho bonito, - O hálito do homem cheirava quase tão mal quanto os
    mortos nas gaiolas, e seus pequenos olhos de porco percorriam-na de cima a baixo, - O meu
    querido pessegozinho tem nome?
    Durante meio segundo, Arya esqueceu-se de quem se esperava que ela fosse, Não era pêssego
    nenhum, mas também não podia ser Arya Stark, ali, para um bêbado fedido que não conhecia.
    - Eu sou...
    - Ela é a minha irmã. - Gendry apoiou uma mão pesada no ombro do velho e apertou. - Deixe-a
    em paz.
    O homem virou-se, desejoso de uma luta, mas, quando viu o tamanho de Gendry, pensou duas
    vezes.
    - Sua irmã, é? Que raio de irmão é você? Nunca traria uma irmã minha ao Pêssego, isso é certo.
    - Levantou-se do banco e afastou-se resmungando, à procura de uma nova amiga,
    - Por que foi que disse aquilo? - Arya levantou-se em um salto. - Você não é meu irmão.
    - É verdade - disse ele num tom irritado. - Meu nascimento é baixo demais para ser da família de
    sua alteza.
    Arya surpreendeu-se pela fúria na voz dele.
    - Não foi isso que eu quis dizer.
    - Foi, sim senhora. - Gendry sentou-se no banco, aninhando uma taça de vinho nas mãos. - Vá
    embora. Quero beber este vinho em paz. Depois, de repente vou atrás daquela garota de cabelos
    pretos para tocar o sino dela.
    - Mas...
    - Eu disse: vá embora. Senhora.
    Arya virou-se e deixou-o ali. Um estúpido bastardo cabeça-dura é o que ele é. Podia tocar todos
    os sinos que quisesse, ela não queria nem saber.
    O quarto deles ficava no topo da escada, abaixo do beirai. No Pêssego, talvez não faltassem
    camas, mas só havia uma para gente como eles. Era uma cama grande, porém. Enchia o quarto
    quase por completo, e o bolorento colchão estofado de palha parecia suficientemente grande para

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:41 pm

    acomodá-los todos. Por enquanto, no entanto, tinha-o todo para si. Sua roupa de verdade estava
    pendurada em um gancho na parede, entre as coisas de Gendry e as de Limo. Arya despiu o linho
    e a renda, enfiou a túnica pela cabeça, subiu para a cama e enterrou-se sob as mantas.
    - Rainha Cersei - sussurrou para a almofada. - Rei Joffrey, Sor Ilyn, Sor Meryn. Dunsen, Raff e
    Polliver. Cócegas, Cão de Caça e Sor Gregor, a Montanha. - As vezes gostava de embaralhar a
    ordem dos nomes. Isso ajudava-a a recordar quem eram e o que tinham feito. Alguns talvez
    estejam mortos, pensou. Talvez, em algum lugar, estejam dentro de gaiolas de ferro, e os corvos
    estejam bicando seus olhos.
    O sono chegou assim que fechou os olhos. Nessa noite, sonhou com lobos, caçando em uma
    floresta úmida com um pesado cheiro de chuva, putrefação e sangue no ar. Mas, no sonho, eram
    cheiros bons, e Arya sabia que nada tinha a temer. Era forte, ligeira e feroz, e a sua matilha
    rodeava-a, seus irmãos e suas irmãs. Perseguiram juntos um cavalo assustado, rasgaram sua
    garganta e banquetearam-se. E quando a lua surgiu entre as nuvens, jogou a cabeça para trás e
    uivou.
    Mas, quando o dia chegou, acordou com o ladrar de cães.
    Arya sentou-se, bocejando. Gendry agitava-se à sua esquerda e Limo Manto Limão roncava
    sonoramente à direita, mas os latidos lá fora quase não deixavam que o ouvisse. Deve haver meia
    centena de cães lá fora. Saiu de debaixo das mantas e saltou por cima de Limo, Tom e Jack
    Sortudo, até chegar à janela. Quando escancarou as venezianas, o vento, a umidade e o frio
    jorraram juntos para dentro do quarto. O dia estava cinzento e encoberto. Embaixo, na praça, os
    cães latiam, correndo em círculos, rosnando e uivando. Era uma matilha, grandes mastins negros,
    lobeiros esguios e cães pastores pretos e brancos, e raças que Arya não conhecia, animais
    hirsutos e malhados, com grandes dentes amarelos. Entre a estalagem e a fonte encontrava-se
    uma dúzia de cavaleiros montados em seus cavalos, observando os homens da cidade que abriam
    a gaiola do gordo e o puxavam pelo braço até que seu corpo inchado caiu no chão. Os cães caíram
    sobre ele de imediato, arrancando pedaços de carne de seus ossos.
    Arya ouviu um dos cavaleiros rir.
    - Aqui está seu novo castelo, maldito bastardo Lannister - disse. - Um tanto compacto para um
    cara como você, mas não se preocupe, a gente enfia você lá dentro. - Ao seu lado estava sentado
    um prisioneiro, carrancudo, com várias voltas de corda de câ- nhamo apertadas ao redor dos
    pulsos. Alguns dos homens da cidade estavam atirando esterco nele, mas o prisioneiro nem
    vacilava. - Vai apodrecer nessa gaiola - seu captor gritava. - Os corvos vão comer seus olhos
    enquanto nós gastamos todo este seu bom ouro Lannister! E quando os corvos acabarem, vamos
    mandar o que sobrar de você ao seu maldito irmão. Embora eu duvide que ele o reconheça.
    O barulho tinha acordado metade do Pêssego. Gendry enfiou-se ao lado de Arya na janela, e
    Tom aproximou-se por trás deles, nu como no dia em que nasceu.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:41 pm

    - Que diabo de gritaria é essa? - Limo protestou da cama. - Um homem tá tentando dormir um
    pouco, diabos!
    - Onde está o Barba-Verde? - perguntou Tom.
    - Na cama com a Tanásia - disse o Limo. - Por quê?
    - E melhor ir atrás dele. E do Arqueiro também. O Caçador Louco voltou, com mais um homem
    para as gaiolas.
    - Lannister - disse Arya. - Eu ouvi-o dizer Lannister.
    - Pegaram o Regicida? - quis saber Gendry.
    Lá embaixo, na praça, uma pedra atingiu o cativo no rosto, obrigando-o a virar a cabeça. Não é
    o Regicida, pensou Arya quando viu seu rosto. Os deuses tinham ouvido as suas preces, afinal.

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:42 pm

    Jon 354


    Fantasma tinha desaparecido quando os selvagens trouxeram os cavalos da gruta. Terá
    compreendido o que lhe disse sobre Castelo Negro? Jon inspirou o ar fresco da manhã e
    permitiu-se ter esperança. O céu oriental mostrava-se rosado perto do horizonte e cinza- -claro
    mais acima. A Espada da Manhã ainda podia ser vista ao sul, com a brilhante estrela branca de seu
    cabo cintilando como um diamante na alvorada, mas os negros e cinza da floresta sombria
    estavam se transformando mais uma vez em verdes e dourados, vermelhos e castanhos. E, por
    cima dos pinheiros marciais, carvalhos, freixos e sentine- las, erguia-se a Muralha, com o gelo
    branco e de brilho fraco sob a poeira e a terra que manchavam sua superfície.
    Magnar mandou uma dúzia de homens para oeste e uma dúzia para leste, a fim de subirem os
    montes mais altos que conseguissem encontrar e ficarem alerta a qualquer sinal de patrulheiros na
    floresta ou cavaleiros lá em cima, no gelo. Os Thenns transportavam berrantes de guerra
    reforçados com bronze, a fim de dar avisos caso a Patrulha fosse avistada. Os outros selvagens
    seguiram atrás de Jarl, e Jon e Ygritte juntaram-se ao grupo. Aquela seria a hora da glória do jovem
    corsário.
    Dizia-se com freqüência que a Muralha se erguia a duzentos metros de altura, mas Jarl havia
    encontrado um lugar onde era ao mesmo tempo mais alta e mais baixa. A frente deles, o gelo subia
    abruptamente de entre as árvores como uma imensa falésia, coroada por ameias escavadas pelo
    vento que se projetavam a pelo menos duzentos e quarenta metros de altura, chegando talvez a
    duzentos e setenta em alguns locais. Mas, ao aproximar-se, Jon compreendeu como isso era
    enganoso. Brandon, o Construtor, dis- pusera os blocos das fiindações ao longo dos trechos
    elevados sempre que possível, e naquela zona os montes subiam bruscos e irregulares.
    Certa vez, Jon ouvira o tio Benjen dizer que a Muralha era uma espada a leste de Castelo Negro,
    mas uma serpente a oeste. Era verdade. Estendendo-se sobre um enorme monte encurvado, o
    gelo mergulhava num vale, subia o topo escalavrado de uma grande crista de granito ao longo de
    uma légua, ou mais, percorria uma cumeada irregular, voltava a mergulhar num vale ainda mais
    profundo e depois subia mais e mais alto, saltando de monte em monte até perder de vista, na
    direção do oeste montanhoso,
    Jarl tinha escolhido escalar a extensão de gelo ao longo da crista. Ali, embora o topo da Muralha
    se erguesse duzentos e quarenta metros acima do chão da floresta, um bom terço dessa altura era
    composto por terra e pedra em vez de gelo; a encosta era íngreme

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    Re: Parte 2 3 realm

    Mensagem  Admin em Ter Maio 29, 2012 12:42 pm

    demais para os cavalos, uma escalada quase tão difícil quanto o Punho dos Primeiros Homens,
    mas, apesar disso, muito mais fácil de subir do que a face absolutamente vertical da própria
    Muralha. E, além disso, a crista também era densamente arborizada, fornecendo fácil cobertura.
    Em outros tempos, irmãos vestidos de negro saíam todos os dias com machados para cortar as
    árvores invasoras, mas esses dias tinham ficado para trás havia muito, e ali a floresta crescia bem
    junto ao gelo.
    O dia prometia ser úmido e frio, e mais úmido e frio estaria junto à Muralha, sob aquelas
    toneladas de gelo. Quanto mais perto chegavam, mais os Thenn se retraíam. Eles nunca tinham
    visto a Muralha, nem mesmo o Magnar, compreendeu Jon. Assusta-os. Nos Sete Reinos dizia-se
    que a Muralha marcava o fim do mundo. Isso também é verdade para eles. Tudo dependia do lado
    em que se estava.
    E de que lado estou eu? Jon não sabia. Para ficar com Ygritte, teria de se tornar um selvagem,
    de alma e coração, Se a abandonasse para retornar ao seu dever, o Magnar poderia arrancar o
    coração da garota, E se a levasse consigo... partindo do princípio de que ela iria, o que era longe de
    ser certo... bem, dificilmente poderia levá-la de volta para Castelo Negro, para viver entre os
    irmãos. Um desertor e uma selvagem não podiam esperar boas-vindas em qualquer parte dos Sete
    Reinos. Suponho que poderíamos ir à procura dos filhos de Gendel Muito embora fosse provável
    que nos comessem em vez de nos darem as boas-vindas.
    Jon via que a Muralha não atemorizava os assaltantes de Jarl. Todos eles já fizeram isso antes.
    Jarl gritou nomes quando desmontaram sob a crista, e onze homens juntaram-se à sua volta,
    Todos eram jovens. O mais velho não parecia ter mais de vinte e cinco anos, e dois dos dez eram
    mais novos do que Jon. Mas eram todos esguios e rijos; aparentavam uma força vigorosa que lhe
    fazia lembrar Cobra das Pedras, o irmão que Meia-Mão enviara a pé quando Camisa de Chocalho
    andava no encalço deles.
    Bem à sombra da Muralha, os selvagens fizeram os preparativos, enrolando grossas voltas de
    corda de cânhamo em um ombro e cruzando o peito, e amarrando estranhas botas de pele de
    corça de veado. As botas tinham espigões que se projetavam de suas pontas; de ferro para Jarl e
    outros dois, bronze para alguns, mas era mais freqüente serem de osso denteado. Pequenos
    martelos com cabeça de pedra estavam pendurados em uma anca, e um saco de couro cheio de
    estacas em outra. Seus machados de gelo eram chifres com pontas aguçadas, atadas com faixas
    de couro cru a cabos de madeira. Os onze alpinistas agruparam-se em três equipes de quatro
    homens; o próprio Jarl era o décimo segundo.
    - Mance promete espadas para cada membro da primeira equipe a atingir o topo - disse-lhes,
    com o hálito se condensando no ar frio. - Espadas sulistas de aço forjado em castelo. E também
    seu nome na canção que vai escrever a respeito disso. O que mais pode um homem livre pedir?
    Para cima, e que os Outros carreguem os últimos!

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    Re: Parte 2 3 realm

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